A plataforma digital Chãozão, criada em Goiânia em maio de 2024, emergiu como a principal vitrine para o mercado de imóveis rurais no Brasil, destacando o peso do agronegócio na economia nacional. Iniciada com apenas 140 anúncios, a startup alcançou em 2025 um valor de quase R$ 500 bilhões em propriedades anunciadas, representando um crescimento de 47% em relação aos R$ 340 bilhões registrados em dezembro de 2024. Esse avanço reflete não apenas a vitalidade do setor agropecuário, mas também o impacto de políticas econômicas que fomentam o investimento em terras produtivas, consolidando o agronegócio como um pilar estratégico para o desenvolvimento do país.
Operando como um classificado online especializado, o Chãozão conecta proprietários, corretores, imobiliárias e fundos de investimento por meio da venda de pacotes de anúncios, sem intermediar negociações ou atuar como corretora. Seu foco está na organização e exposição de dados sobre o mercado fundiário brasileiro, que movimenta anualmente entre R$ 250 bilhões e R$ 300 bilhões em transações, conforme afirma Geórgia Oliveira, fundadora e CEO da plataforma. Essa estrutura digital atende a uma demanda crescente, influenciada por incentivos governamentais e acordos comerciais que fortalecem o setor rural, posicionando-o como um elemento chave nas discussões políticas sobre soberania alimentar e exportações.
O desempenho da plataforma está atrelado ao bom momento do agronegócio no PIB nacional, que registrou um crescimento de 11,6% em 2025, superando a indústria (1,7%) e os serviços (1,8%), de acordo com dados do IBGE. Esse impulso econômico se reflete na procura por imóveis rurais, com um aumento de 38% nos sete primeiros dias de dezembro de 2025 em comparação à média anual. Terras aptas para lavoura e pecuária lideram as buscas, com 36% e 32% respectivamente, evidenciando como políticas de expansão agrícola influenciam o mercado e atraem investidores em um contexto de debates sobre reforma agrária e sustentabilidade.
O interesse não se limita ao público nacional, com buscas internacionais crescendo, especialmente de investidores dos Estados Unidos e Portugal, o que reforça a atratividade global das terras brasileiras como ativo sólido. No ranking de estados mais procurados, o Centro-Oeste domina, com Mato Grosso (18%) e Goiás (14%) à frente, seguidos por São Paulo (12%), Tocantins (9%), Bahia (8%), Minas Gerais (7%) e Paraná (5%). Geórgia Oliveira destaca que essa distribuição reflete a diversidade produtiva do país, com polos de expansão agrícola e pecuária que são centrais em agendas políticas regionais e nacionais.
Com planos de expansão, a Chãozão mira o Mercosul, estudando operações no Uruguai, Paraguai e Argentina para se tornar a maior plataforma de dados sobre terras na região nos próximos cinco anos. No Brasil, a empresa prevê o lançamento de três novos serviços baseados em inteligência artificial em 2026, focados em análise de terras, avaliação de potencial produtivo e ferramentas preditivas para investidores. Essa trajetória sublinha o papel do agronegócio em moldar políticas econômicas, promovendo inovação e integração internacional em um setor vital para a estabilidade do país.