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sexta-feira , 23 outubro 2026
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Bactéria da Caatinga surge como aliada natural contra plantas daninhas resistentes

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Pesquisadores identificaram uma bactéria presente nos solos da Caatinga capaz de inibir a germinação da buva (Conyza canadensis), uma das plantas daninhas mais resistentes aos herbicidas químicos no Brasil. Essa descoberta abre caminhos para o desenvolvimento de bioherbicidas de origem natural, com potencial para auxiliar no manejo de invasoras na agricultura. O estudo, realizado por cientistas da Embrapa Meio Ambiente e da Universidade de São Paulo (USP), destaca a importância de microrganismos adaptados a biomas extremos.

A buva afeta diversas culturas agrícolas no país, incluindo soja, milho, algodão, trigo, café, cana-de-açúcar, além de pastagens e florestas. Sua resistência a herbicidas sintéticos representa um desafio crescente para os produtores. Os pesquisadores iniciaram o trabalho com a triagem de actinobactérias de diferentes biomas brasileiros, focando na capacidade desses microrganismos de interferir na germinação e no desenvolvimento de plantas daninhas.

Dentre os isolados analisados, a cepa Streptomyces sp. Caat 7-52, proveniente da Caatinga, demonstrou os resultados mais promissores. Esse bioma semiárido, marcado por altas temperaturas e escassez de água, favorece o desenvolvimento de microrganismos com estratégias únicas de sobrevivência. Segundo o pesquisador da Embrapa Meio Ambiente Itamar Melo, a Caatinga funciona como um laboratório natural, produzindo moléculas inéditas com aplicações na agricultura e na farmacêutica.

A análise química revelou que a bactéria produz compostos como o ácido 3-hidroxibenzóico e a albociclina, que inibem a germinação da buva em baixas concentrações. O pesquisador Danilo Tosta Souza, da USP, destacou que essa é a primeira vez que a atividade fitotóxica da albociclina é registrada, o que pode contribuir para estratégias de manejo mais sustentáveis e reduzir a dependência de herbicidas químicos.

Os cientistas também otimizaram o meio de cultivo da bactéria para aumentar o rendimento e diversificar os compostos, visando aplicações comerciais. Testes com o caldo fermentado bruto mostraram ação seletiva contra plantas daninhas dicotiledôneas, como buva, caruru e picão-preto, sem necessidade de purificação química. Luiz Alberto Beraldo de Moraes, da USP, explicou que isso simplifica o processo, torna o produto mais acessível e ambientalmente amigável, dispensando solventes industriais.

A pesquisa está em fase inicial, com próximos passos incluindo testes em campo, avaliação de eficácia em diferentes culturas, estudos de ecotoxicologia e desenvolvimento de formulações comerciais. Os efeitos em organismos não alvo também serão analisados. A intenção é integrar essa tecnologia ao Manejo Integrado de Plantas Daninhas (MIPD), combinando métodos químicos, biológicos e culturais para um controle sustentável.

Itamar Melo enfatizou que, apesar dos resultados promissores, o desafio é transformar esse potencial em soluções práticas para os agricultores, aplicáveis em larga escala.

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