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sexta-feira , 6 março 2026
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Empresa brasileira domina análises de soja exportada e mira lei antidesmatamento da UE

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A engenheira química Paula Siqueira Machado comanda um laboratório que analisa oito em cada dez carregamentos de soja que saem dos portos brasileiros, um domínio que atrai olhares de concorrentes no setor de análises agrícolas. Fundada há mais de uma década em Curitiba, a Intecso surgiu para resolver um problema identificado pela empresária durante sua passagem como diretora de P&D e Qualidade na processadora de soja Imcopa, no Paraná.

Naquela época, o envio de amostras para análise demorava dias pelos Correios, o que contrastava com o custo baixo do serviço em si. Machado percebeu que a velocidade era o diferencial: “O departamento de exportação pagava R$ 4 mil num táxi para levar a amostra a um laboratório em Santa Maria porque os Correios demoravam de três a quatro dias para entregar. Enquanto isso, a análise custava apenas R$ 500”, recordou ela. Assim, a Intecso prometeu concluir análises em 48 horas, incluindo o transporte das amostras dos portos até Curitiba.

Diferenciando-se de laboratórios focados em alimentos, a empresa especializou-se em grãos para ração animal, atendendo supervisores contratados por grandes tradings. Hoje, a Intecso testa cerca de 80% da soja e mais de 95% do milho exportados pelo Brasil, com ênfase nos mercados da China e da União Europeia. Para manter a agilidade, conta com parceiros nos principais portos, que enviam amostras por avião, e opera 24 horas por dia, de segunda a sábado, com uma equipe de cerca de 120 funcionários.

Os resultados financeiros refletem o sucesso: a companhia opera com margem Ebitda de 55% e projeta faturamento superior a R$ 45 milhões neste ano. Apesar de propostas de aquisição, Machado optou por manter o controle, afirmando que “a Intecso está rendendo mais comigo”. No entanto, ela reconhece a ameaça de concorrentes que podem igualar a velocidade do serviço.

Para se antecipar, a Intecso investe em inovação, com mais de 20% de seu quadro composto por mestres e doutores. Um projeto chave desenvolve um teste para atender a EUDR, a legislação europeia antidesmatamento, que certifica a origem exata de commodities. Atualmente, o método identifica a produção de soja com 90% de certeza em um raio de 150 quilômetros, e o objetivo é refinar essa precisão aumentando análises e parâmetros.

Se bem-sucedido, esse avanço pode elevar as barreiras para competidores e atrair novos interessados no negócio.

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