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Larissa Wachholz: o alerta para sofisticar as relações comerciais entre Brasil e China

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Larissa Wachholz, ex-residente na China e atual sócia da consultoria Vallya Agro, além de senior fellow no Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri), destaca a importância de aprofundar as relações comerciais entre o Brasil e a China, especialmente no setor agrícola. Com experiência acumulada desde 2008, quando chegou a Pequim para trabalhar na Agência Brasileira de Promoção de Exportações (Apex), Wachholz viaja ao país asiático três a quatro vezes por ano para discutir projetos de colaboração. Ela enfatiza que o Brasil não pode se acomodar, assumindo que os chineses dependerão indefinidamente de suas exportações agrícolas, e defende uma sofisticação na parceria para agregar valor e superar gargalos.

No âmbito do financiamento, Wachholz aponta avanços na atuação chinesa no agro brasileiro. Empresas como a Cofco expandem terminais em Santos para melhorar a infraestrutura de escoamento, enquanto a China Merchants Port Holding Company opera em Paranaguá, liderando exportações de carne congelada. A emissão de panda bonds pela Suzano marca um passo inicial, e a criação de um grupo de trabalho na Comissão Sino-Brasileira de Alto Nível de Concertação e Cooperação (Cosban) visa estimular o financiamento agrícola. Bancos como o Agricultural Bank of China mostram interesse em expandir operações no Brasil, utilizando instrumentos como panda bonds com taxas baixas, ainda pouco conhecidos localmente.

Há também potencial em biocombustíveis para navegação marítima e aviação, setores que a China busca descarbonizar. Wachholz relata interesse chinês na viabilidade econômica de o Brasil fornecer esses produtos, com eventos como o organizado pela Universidade Tsinghua promovendo diálogos e visitas técnicas. Essa colaboração reflete uma oportunidade para o Brasil se posicionar como fornecedor estratégico, alinhando-se às metas ambientais chinesas sem depender de eletrificação inviável para grandes navios.

As mudanças no perfil do consumidor chinês, aceleradas pela pandemia de covid-19, representam tanto alerta quanto oportunidade. A digitalização transformou o comércio, com o e-commerce e live streaming dominando compras B2B e B2C, inclusive no agronegócio. Wachholz observa que os chineses, especialmente a classe média, priorizam qualidade, segurança alimentar e marcas confiáveis, o que favorece produtos brasileiros de valor agregado como proteínas animais processadas, superalimentos (açaí, cacau, castanhas) e itens para crianças à base de frutas. Iniciativas como vendas de café via WeChat, com parceiros locais, ilustram o caminho para marcas brasileiras no varejo digital chinês.

No contexto político, o segundo mandato de Donald Trump nos Estados Unidos reforça lições da guerra comercial anterior. Wachholz nota que a China diversificou relações, beneficiando o Brasil com aumento de exportações de grãos e carne. Hoje, com consumidores mais digitais e atentos à sustentabilidade, a China valoriza rastreabilidade, podendo privilegiar produtos sustentáveis sem impor regras como a Europa. Ela sugere que o Brasil aprenda com a pragmatismo chinês, aprofundando laços de confiança para expandir em áreas como ração animal, celulose e biocombustíveis, evitando complacência e elevando a parceria a um nível mais benéfico.

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