O mercado internacional da soja enfrenta um período de pressão prolongada, impulsionado por expectativas de uma oferta elevada e incertezas sobre a força da demanda global. Análises da TF Agroeconômica destacam que fatores como compras chinesas mais lentas, condições climáticas favoráveis na América do Sul e projeções de uma safra recorde no Brasil contribuem para limitar reações mais consistentes nos preços no curto prazo. Essa combinação cria um ambiente de cautela, onde a disponibilidade global confortável domina as percepções do mercado.
Mesmo com indícios não oficiais de um aumento no volume de soja adquirido pela China, o foco permanece na abundância de suprimentos mundiais. As cotações refletem esse cenário, com pouca margem para uma recuperação sustentada. A análise técnica aponta para um movimento lateral nos preços, iniciado em julho de 2024 e ainda dominante para os contratos de maio de 2025, reduzindo a probabilidade de altas mais expressivas, especialmente com as safras sul-americanas já praticamente consolidadas.
Nos Estados Unidos, o USDA confirmou novas vendas de soja para a China, referentes à safra 2025/26. No entanto, os volumes anunciados não foram suficientes para dissipar a sensação de cautela no mercado. Essa movimentação ocorre em meio a divergências entre números oficiais e informações de mercado sobre o total efetivamente comprado pelos chineses, o que adiciona ruído e complexidade às análises.
Paralelamente, a gestão de estoques internos na China revela vendas abaixo do esperado em leilões estatais, sinalizando um apetite doméstico menor e a necessidade de liberar espaço para novas importações. Esse contexto reforça a percepção de que a demanda global pode não se recuperar rapidamente, impactando as estratégias dos produtores em todo o mundo.
Diante de um canal claro nas cotações, a recomendação técnica é vender quando os preços se aproximam da resistência. Contudo, o aspecto mais crucial é manter os custos de produção atualizados, incluindo despesas pessoais e da empresa agrícola, e realizar vendas apenas quando todos os custos estiverem recuperados, acrescidos de um lucro. Essa abordagem busca mitigar riscos em um cenário de volatilidade limitada.