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sexta-feira , 6 março 2026
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O ciclo pecuário brasileiro em transição: o que esperar para 2026

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O mercado do boi gordo no Brasil está prestes a entrar em uma fase de transição significativa em 2026, conforme análise da Agrifatto Consultoria. Após anos de liquidação intensa, o setor pecuário deve registrar uma redução na oferta de gado, com desaceleração no abate de fêmeas e um papel crucial das exportações na sustentação dos preços da arroba. Essa mudança não ocorrerá de forma abrupta, pois as decisões na pecuária de corte são de longo prazo, e os efeitos do descarte elevado de fêmeas desde 2023 ainda influenciam o mercado.

A fase de baixa no ciclo pecuário não está completamente encerrada, especialmente no que diz respeito ao abate de fêmeas, mas o prolongamento desse movimento indica um ponto de inflexão. Entre 2020 e 2022, a retenção acima do padrão histórico adicionou cerca de 1,63 milhão de ventres ao rebanho nacional, impulsionada por avanços em genética, nutrição, manejo e sanidade. Isso permitiu uma liquidação mais intensa nos anos seguintes, com estimativa de 2,05 milhões de matrizes abatidas.

As projeções apontam para um encolhimento do rebanho bovino brasileiro, que deve encerrar 2025 com cerca de 188 milhões de cabeças, uma redução de 3% em relação a 2024. Para 2026, o número pode cair para aproximadamente 180 milhões, como consequência direta do descarte elevado de fêmeas. No volume de abates, espera-se uma queda de 4,1%, passando de 42 milhões de cabeças em 2025 para 40,3 milhões em 2026, sinalizando o início da virada no ciclo.

O abate de fêmeas deve desacelerar em 2026, com menor participação de matrizes nos abates em comparação a 2025, embora os volumes permaneçam acima da média histórica. Essa tendência abre espaço para uma fase de retenção, impactando a oferta futura de gado e a formação dos preços. A indústria frigorífica enfrenta margens apertadas, com o spread entre a carcaça casada e o boi gordo recuando para 1,3% em 2025, e os desafios devem aumentar com a elevação do custo da matéria-prima devido à menor oferta.

As exportações continuarão sendo o principal pilar de sustentação dos preços da arroba em 2026, com o Brasil mantendo competitividade elevada, preços 14% a 23% abaixo da média global dos principais exportadores. Concorrentes como Estados Unidos e Argentina estão avançando para fases de retenção, reduzindo sua oferta exportável. No mercado interno, uma melhora gradual é esperada, influenciada por fatores como ano eleitoral, maior circulação de renda e inflação controlada, o que pode contribuir para a firmeza das cotações.

Em resumo, o boi gordo em 2026 não terá movimentos explosivos, mas uma valorização gradual da arroba, sustentada por menor oferta, redução no descarte de fêmeas e demanda externa firme. Para os produtores, o cenário exige planejamento e uso de ferramentas de proteção, em uma fase mais competitiva e estratégica para a pecuária brasileira.

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