O maior portal de notícias do agro brasileiro.
sexta-feira , 6 março 2026
Início Agricultura Pragas silenciosas: como insetos podem abalar a economia da cana-de-açúcar no Brasil
Agricultura

Pragas silenciosas: como insetos podem abalar a economia da cana-de-açúcar no Brasil

63

A cana-de-açúcar representa uma das principais bases da economia agrícola brasileira, contribuindo significativamente para a produção de açúcar, etanol e energia renovável. De acordo com estimativas da Companhia Nacional de Abastecimento, a safra 2025/2026 deve atingir 663,4 milhões de toneladas, destacando o papel estratégico desse cultivo no cenário nacional. No entanto, desafios fitossanitários persistem, com insetos-praga representando uma ameaça constante à produtividade e à rentabilidade dos canaviais.

Entre as pragas mais impactantes, o bicudo-da-cana se destaca por seu ataque ao sistema radicular e ao rizoma das plantas. Esse inseto compromete o vigor das lavouras, reduzindo a brotação da soqueira e limitando o número de cortes viáveis ao longo do ciclo produtivo. O controle dessa praga é particularmente desafiador devido ao ciclo longo da cana, à proteção oferecida pela palha e à disseminação facilitada por mudas e máquinas agrícolas.

Dados da Embrapa revelam que os prejuízos causados pelo bicudo podem chegar a 30 toneladas por hectare ao ano, o que equivale a quase 40% de uma produtividade média. Essa perda expressiva não apenas afeta os produtores, mas também tem implicações mais amplas para a cadeia econômica dependente da cana-de-açúcar, influenciando setores como o de biocombustíveis e exportações.

Da mesma forma, a cigarrinha emerge como outra praga significativa, afetando o desempenho dos canaviais em diversas fases. Suas ninfas danificam as raízes, enquanto os adultos sugam a seiva das folhas, o que reduz a fotossíntese e provoca queda no vigor das plantas. Além disso, essa ação diminui os níveis de sacarose e favorece o surgimento de fungos, agravando os problemas fitossanitários.

Leandro Valerim, gerente de inseticidas da UPL Brasil, alerta para a agressividade do Sphenophorus, nome científico do bicudo-da-cana. Segundo ele, “O Sphenophorus é uma das pragas mais agressivas da cana. Suas larvas atacam o sistema radicular e o rizoma, interrompendo o fluxo de seiva e reduzindo o vigor da planta. Além disso, esse inseto dificulta a brotação da soqueira, diminuindo o número de cortes viáveis do cultivo”. Essas observações reforçam a necessidade de estratégias integradas para mitigar os impactos.

Diante desses desafios, o setor agrícola brasileiro enfrenta a urgência de aprimorar medidas de controle e monitoramento para preservar a competitividade da cana-de-açúcar. Embora a produção projetada para a próxima safra seja robusta, as pragas continuam a expor vulnerabilidades que podem comprometer metas econômicas de longo prazo.

Relacionadas

Alfa Participações vende operações da Agropalma no Pará ao Grupo Daabon

Alfa Participações anuncia venda das operações da Agropalma no Pará ao Grupo...

Câmara aprova indenização a produtores rurais por falhas no fornecimento de energia

Câmara aprova proposta que garante indenização a produtores rurais por falhas no...

Superintendente do MAPA visita Mercado Digital de Agricultores em Itupeva e avalia expansão

Superintendente do MAPA visita Mercado do Agricultor Digital em Itupeva, SP, e...

Exportações do agronegócio de São Paulo para China crescem 167% e atingem US$ 3,7 bi em 2023

Exportações do agronegócio paulista para a China saltaram 167% em 2023, atingindo...