O mercado de milho nos estados do Sul do Brasil continua a enfrentar dificuldades, com negociações marcadas por lentidão e descompassos entre produtores e compradores. De acordo com informações da TF Agroeconômica, a demanda seletiva e a liquidez restrita estão influenciando os preços e o ritmo das transações. Essa situação reflete ajustes localizados em meio a um cenário de moderada atividade interna e exportações que avançam de forma gradual, destacando as complexidades do setor agrícola na região.
No Rio Grande do Sul, a demanda permanece seletiva, com referências de preços variando entre R$ 58,00 e R$ 72,00 por saca. O preço médio estadual subiu para R$ 62,61 por saca, registrando uma alta semanal de 0,71%. Esse avanço é atribuído a ajustes pontuais, embora a liquidez no mercado spot continue limitada. A demanda interna moderada e as exportações lentas contribuem para manter o equilíbrio precário no estado gaúcho.
Em Santa Catarina, o mercado de milho não apresenta reações significativas, com uma ampla distância entre as pedidas dos produtores e as ofertas das indústrias. Os produtores indicam valores próximos de R$ 80,00 por saca, enquanto as indústrias operam ao redor de R$ 70,00 por saca. No Planalto Norte, os poucos negócios registrados ocorrem entre R$ 71,00 e R$ 75,00 por saca, mas a falta de alinhamento entre as partes bloqueia avanços nas negociações e restringe a liquidez.
No Paraná, o ritmo das negociações segue lento, caracterizado por um amplo descompasso entre as expectativas dos envolvidos. Produtores mantêm indicações próximas de R$ 75,00 por saca, ao passo que as indústrias sinalizam interesse em torno de R$ 70,00 por saca CIF. Esse impasse preserva a estagnação no mercado spot, com negociações esparsas que não conseguem alterar o quadro predominante de baixa atividade.
Já no Mato Grosso do Sul, as negociações de milho permanecem restritas, mas com um viés de firmeza em algumas praças. As referências oscilam entre R$ 53,00 e R$ 58,00 por saca, com localidades como Campo Grande e Sidrolândia mantendo patamares mais baixos, sem acompanhar o movimento observado em outras regiões. Essa sustentação parcial reflete uma dinâmica regional variada, influenciada por fatores locais de oferta e demanda.
Esses padrões observados nos mercados sulistas indicam desafios estruturais no setor de grãos, que podem impactar a cadeia produtiva agrícola como um todo. A persistência de discrepâncias nos preços e a seletividade da demanda sugerem a necessidade de monitoramento contínuo para identificar possíveis ajustes futuros.