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sexta-feira , 6 março 2026
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Alinhamento inédito entre potências da pecuária promete redefinir o mapa global do comércio de carne

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Um raro alinhamento entre Brasil, Estados Unidos, Austrália e Argentina, os principais produtores e exportadores de carne bovina, está prestes a desencadear um superciclo pecuário global entre 2025 e 2026. Esse fenômeno, caracterizado pela retenção simultânea de fêmeas nos rebanhos desses países, que respondem por quase 60% das exportações mundiais, pode levar a uma forte restrição de oferta, elevação prolongada de preços e uma reorganização na liderança do setor. Analistas destacam que esse movimento, incomum na história da pecuária, surge após anos de descarte intenso devido a secas, custos elevados e baixa rentabilidade, criando um cenário de escassez que afeta o comércio internacional.

Nos Estados Unidos, o epicentro dessa escassez, o rebanho bovino no início de 2025 é o menor em mais de 70 anos, resultado de secas severas nas regiões Sul e Oeste. Isso deve resultar em uma queda de 4,1% na produção de carne bovina em 2025, com importações recordes para suprir o consumo interno e projeções de preços do fed cattle superando US$ 240/cwt em 2026. Esse quadro transforma os EUA de exportadores para importadores líquidos, pressionando o mercado global e fortalecendo as cotações internacionais, o que pode influenciar negociações comerciais e políticas agrícolas no país.

O Brasil emerge como líder consolidado nesse contexto, tendo superado os Estados Unidos em produção e exportação em 2025, com mais de 42 milhões de cabeças abatidas – um recorde histórico – e participação de fêmeas em 45,9% dos abates. No entanto, a virada do ciclo é iminente: projeções indicam uma queda de 4,1% nos abates em 2026, para cerca de 40,3 milhões de cabeças, com produção recuando para 10,62 milhões de toneladas. Os preços do boi gordo tendem a valorizar, podendo alcançar R$ 400/@ no segundo semestre, dependendo do clima, o que reforça a posição estratégica do Brasil no cenário global e pode impactar suas relações econômicas com importadores como a China.

A Austrália, por sua vez, oferece um contraponto temporário, com produção projetada em 2,9 milhões de toneladas em 2025, um aumento de 11% em relação ao ano anterior, preenchendo lacunas deixadas pelos EUA em mercados asiáticos como Japão e Coreia do Sul. Analistas da Meat & Livestock Australia preveem, contudo, que a retenção de fêmeas ganhará força a partir de 2026, estabilizando a oferta e mantendo preços internos elevados, o que pode alterar dinâmicas comerciais na região Ásia-Pacífico.

A Argentina, em uma fase de transição, vê o descarte de fêmeas perder intensidade em 2025, com a retenção se consolidando em 2026, segundo a Bolsa de Comércio de Rosário e o USDA. Essa confluência nos quatro países amplifica a pressão sobre os preços internacionais, que, conforme dados da FAO, atingiram 144,9 pontos em setembro de 2025 – o maior nível histórico –, impulsionados pela demanda dos EUA e da China.

Especialistas como o analista norte-americano Denis Smith, da revista Beef, alertam para um declínio significativo na produção global de carne bovina nos próximos dois anos, com um possível déficit de até 2 milhões de toneladas até 2026. Relatórios da Agrifatto corroboram que 2026 será pivotal, com retenção intensificada criando um “apagão” na oferta.

Em síntese, esse superciclo representa uma janela de rentabilidade para produtores, especialmente na cria e reposição, com oferta mundial enxuta e demanda externa firme. Para o Brasil, o momento consolida sua protagonismo, potencialmente influenciando políticas comerciais globais e reposicionando o país como eixo central na proteína bovina.

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