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Desmatamento na Amazônia pode custar bilhões ao agronegócio de Mato Grosso

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Estudos científicos recentes revelam que o desmatamento na Amazônia está diretamente ligado à redução da estação chuvosa em regiões agrícolas de Mato Grosso, com impactos que podem inviabilizar a segunda safra em casos extremos. Pesquisadores da Universidade Federal de Viçosa (UFV) observaram que, a cada 10% de aumento no desmatamento de vegetação nativa amazônica, o início das chuvas atrasa em média 1,7 dia nas áreas mais sensíveis do estado. Essa tendência, confirmada por dados desde 2019, aponta para uma diminuição de até 45 dias na janela de chuvas em 2022/23, representando quase 25% da duração ideal para o cultivo sem prejuízos.

O coordenador da pesquisa, professor Marcos Heil Costa, da UFV, explica que o desmatamento, concentrado na porção oriental da Amazônia e associado à abertura de pastagens, tem acelerado essa redução. Análises desde 1980 mostram que regiões como o sudeste e o centro de Mato Grosso já registram janelas hídricas abaixo de 180 dias em três das últimas seis safras, o que leva produtores a desistirem da safrinha ou enfrentarem perdas financeiras. Um paper publicado em 2024 pelo grupo conclui que essa destruição ambiental causa danos econômicos graves ao agronegócio local, transformando o que era uma possibilidade em uma realidade observada.

Essas conclusões se alinham a outros estudos, como o de Eduardo Assad, da Fundação Getúlio Vargas, que identificou uma redução de 30 dias na estação chuvosa durante a safrinha. Pesquisas da Embrapa, do Inpe e de cientistas brasileiros e holandeses reforçam que até 80% das chuvas nas regiões agrícolas do país originam-se na Amazônia, e o Arco do Desmatamento contribui para eventos extremos, como inundações no Sul. Historicamente, Mato Grosso contava com 200 a 220 dias de regime chuvoso, essencial para sua posição como gigante agrícola, mas incidentes abaixo de 200 dias se multiplicaram desde 2000.

Apesar das evidências, há resistência entre produtores em reconhecer a conexão entre o desmatamento amazônico e a produtividade em Mato Grosso, estado que abriga três biomas: Amazônia, Cerrado e Pantanal. Costa destaca que agricultores locais atribuem o problema a regiões como o Pará, mas o avanço do desmatamento para o sul aumenta os riscos. Ele defende o cumprimento rigoroso do Código Florestal, que exige 80% de preservação no bioma amazônico, como medida essencial para mitigar os impactos.

Para adaptar-se à mudança climática, a irrigação surge como solução, embora enfrente desafios como acesso a crédito, energia e monitoramento de recursos hídricos. Com mais de 12 milhões de hectares de soja e apenas 350 mil irrigados, o estado reconhece a necessidade, mas a implementação avança lentamente. Previsões indicam agravamento com o aquecimento global, alertando para a urgência de políticas integradas que equilibrem preservação ambiental e sustentabilidade agrícola.

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