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O ano da virada diplomática na pecuária brasileira em 2025

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O ano de 2025 marcou uma transformação significativa na pecuária brasileira, impulsionada por conquistas diplomáticas e econômicas que posicionaram o país como líder global em produção de carne bovina. Definido como um período de adaptação extrema, o setor enfrentou ciclos biológicos desafiadores, redefinições sanitárias e volatilidade política, resultando em uma valorização agressiva para os produtores. O fim da fase de baixa nos preços foi impulsionado por um vácuo de oferta nos Estados Unidos, onde secas sucessivas reduziram o rebanho para 86,6 milhões de cabeças, o menor nível desde 1951, segundo o USDA. Essa escassez gerou uma demanda desesperada por carne magra brasileira, triplicando as exportações para os EUA no primeiro trimestre, apesar de tarifas elevadas.

Um dos destaques foi o recorde histórico de exportações, com 357 mil toneladas de carne bovina embarcadas em outubro, o maior volume mensal desde 1997, conforme dados da Secex compilados pela Abiec. Essa “tempestade perfeita” foi alimentada pela voracidade chinesa por proteína antes do Ano Novo Lunar, além da dependência dos EUA e México de importações para suprir a seca em seus rebanhos. No âmbito político, a pressão do governo brasileiro, via Itamaraty e entidades do agro, levou ao adiamento da EUDR, a Lei Antidesmatamento da União Europeia, originally prevista para dezembro, proporcionando mais tempo para adaptações em rastreabilidade.

A COP 30, realizada em novembro em Belém, no coração da Amazônia, colocou a pecuária nacional sob holofotes globais. Diferentemente de edições anteriores, o Brasil apresentou o Boi de Baixo Carbono como uma commodity escalável, enfatizando a intensificação como ferramenta de preservação ambiental. Nos bastidores, foram assinados novos protocolos sanitários, incluindo aberturas para carne termoprocessada com a China e miúdos para o Sudeste Asiático, reforçando a posição estratégica do país em negociações climáticas e comerciais.

O reconhecimento oficial do Brasil como país livre de febre aftosa sem vacinação, concedido em 29 de maio durante a 92ª Sessão Geral da OMSA em Paris, representou uma vitória diplomática histórica. Esse “Santo Graal” removeu barreiras técnicas para mercados exigentes como Japão e Coreia do Sul, com missões comerciais já realizadas em novembro refletindo impactos imediatos. Essa conquista, perseguida por décadas, abre portas para negociações mais vantajosas e preços premium.

Internamente, a virada do ciclo pecuário elevou os preços do bezerro acima de R$ 3.000 em praças como Mato Grosso do Sul, impulsionada pela retenção de matrizes e alta do boi gordo, que superou R$ 330 por arroba em São Paulo. Secas no Centro-Oeste forçaram a adoção de tecnologias como confinamento e genética para eficiência, com crescimento de 12% em investimentos no setor. Para o futuro, com receitas cambiais superando US$ 25 bilhões, 2026 promete preços sustentados e aberturas de mercado, consolidando o Brasil como superpotência em proteína vermelha.

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