A COP30, realizada em Belém (PA), destacou o papel crucial da agricultura tropical e regenerativa na transição climática global, posicionando os produtores rurais como agentes chave de transformação. Durante o evento, discussões enfatizaram práticas de baixo carbono e soluções sustentáveis para enfrentar as mudanças climáticas. Empresas como a ORÍGEO, joint venture entre Bunge e UPL, junto com a Embrapa, apresentaram iniciativas que conectam adaptação, transição justa e uso da terra à produção tropical.
Agricultura como vetor de soluções
A conferência fortaleceu o espaço da agricultura tropical ao tratar o setor não apenas como vítima de riscos climáticos, mas como fonte de soluções. Práticas regenerativas ganharam destaque por sua capacidade de recuperar solos, reduzir emissões de gases de efeito estufa e construir sistemas alimentares sustentáveis. Isso reflete a importância de adaptar estratégias às especificidades tropicais, onde desafios e oportunidades se concentram.
Iniciativas destacadas na COP30
A Embrapa criou a AgriZone, um espaço dedicado a discutir inovações agrícolas, enquanto a UPL e a ORÍGEO apresentaram soluções sustentáveis. Produtores rurais como Bruno Franciosi, Rodrigo Loureiro e Gilmar Dell Osbel compartilharam experiências práticas. Essas ações visam recuperar áreas produtivas e fortalecer a resiliência dos sistemas agrícolas, promovendo desenvolvimento econômico em escala territorial.
Visão dos especialistas
Roberto Marcon, CEO da ORÍGEO, enfatizou o papel da agricultura regenerativa na recuperação ambiental. Ele destacou como práticas inadequadas acumularam passivos, mas orientações regenerativas podem reverter isso.
Em regiões mais expostas aos efeitos do aquecimento global, práticas inadequadas ao longo do tempo acumularam passivos ambientais. Por outro lado, quando orientada por princípios regenerativos, a produção agrícola desempenha papel central na recuperação do solo, na redução de emissões de gases de efeito estufa e na construção de sistemas alimentares mais sustentáveis. Roberto Marcon
Marcon também ressaltou a agricultura como vetor de soluções regenerativas.
A agricultura passou a ser tratada não apenas como setor exposto a riscos, mas como vetor de soluções, especialmente quando associada a práticas regenerativas capazes de recuperar áreas produtivas, fortalecer a resiliência dos sistemas agrícolas e gerar desenvolvimento econômico em escala territorial. Roberto Marcon
Oportunidades nos trópicos
Os trópicos concentram desafios e oportunidades, segundo Marcon, onde a agricultura regenerativa transforma áreas em sistemas resilientes.
Os trópicos concentram tanto desafios relevantes quanto oportunidades concretas. A agricultura regenerativa permite transformar áreas produtivas em sistemas mais resilientes e eficientes. Roberto Marcon
Igor Borges, head de sustentabilidade da ORÍGEO, reforçou a importância de tratar o solo como ativo estratégico.
Quando o solo passa a ser tratado como ativo estratégico, a produção agrícola passa a integrar a solução, com ganhos ambientais e produtivos. Igor Borges
Perspectivas para o Brasil
Borges apontou o potencial brasileiro para liderar essa transformação, com conhecimento técnico, escala e diversidade agrícola.
O futuro passa por soluções adaptadas à realidade produtiva brasileira. O país reúne conhecimento técnico, escala e diversidade agrícola para contribuir de forma decisiva com essa transformação. Igor Borges
Essas discussões na COP30 em Belém sinalizam um caminho para enfrentar as mudanças climáticas por meio da agricultura sustentável, beneficiando produtores e o planeta.