As cotações da arroba do boi gordo registraram recuo no Brasil nesta semana, impulsionado por uma demanda interna fraca que gerou disputas entre frigoríficos e pecuaristas. Apesar das exportações robustas, especialmente para os Estados Unidos, o mercado interno enfrenta pressões, com quedas observadas em praças como São Paulo. Especialistas apontam para uma oferta suficiente de animais e um varejo enfraquecido como principais fatores.
Queda nas cotações em São Paulo
Na quinta-feira, 15 de janeiro de 2026, o indicador Cepea/Esalq registrou uma queda de 1,01% na praça de São Paulo, com a arroba do boi gordo cotada a R$ 317,16. Essa redução reflete as tentativas dos frigoríficos de comprar a preços mais baixos, aproveitando escalas de abate posicionadas entre sete e oito dias úteis. Pecuaristas, por sua vez, resistem e seguram a oferta, intensificando a disputa no mercado.
Disputa entre frigoríficos e pecuaristas
Frigoríficos buscam testar valores inferiores em regiões como Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, onde a demanda interna permanece fraca. O varejo e o atacado contribuem para esse cenário, com o poder de compra dos consumidores pressionado. Consultores da Scot Consultoria e da Safras & Mercado destacam que a oferta de animais é suficiente, o que permite aos frigoríficos negociar com mais agressividade.
Na média nacional, as escalas estão posicionadas entre sete e oito dias úteis, o que permite às indústrias testar preços mais baixos em algumas regiões.
Essa declaração de Fernando Henrique Iglesias, da Safras & Mercado, ilustra a estratégia adotada pelas indústrias para lidar com a demanda interna enfraquecida.
Exportações fortes para os Estados Unidos
Apesar dos desafios internos, as exportações brasileiras de carne bovina para os Estados Unidos seguem em alta. A cota de 52 mil toneladas destinada ao Brasil foi preenchida em tempo recorde, e o país mantém competitividade mesmo fora dessa cota. Isso ocorre em meio a uma oferta global que favorece o Brasil no mercado norte-americano.
A cota destinada ao Brasil, de 52 mil toneladas, foi preenchida em tempo recorde. Mesmo fora da cota, o país permanece altamente competitivo no mercado norte-americano, com grande potencial de exportação ao longo de 2026.
Perspectivas para o ano de 2026
Para o restante de 2026, analistas preveem que as exportações continuem impulsionando o setor, mas a demanda interna pode permanecer um entrave. O mercado futuro na B3 registrou uma leve queda de 0,11%, sinalizando cautela entre os investidores. Pecuaristas e frigoríficos devem monitorar de perto as variações para ajustar estratégias, enquanto o varejo busca recuperação em um contexto de poder de compra pressionado.
Especialistas como os da Scot Consultoria e Cepea/Esalq enfatizam a necessidade de equilíbrio entre oferta e demanda para estabilizar as cotações. Com o ano ainda no início, o setor pecuário brasileiro enfrenta um cenário misto, onde as exportações representam uma oportunidade, mas os desafios internos demandam atenção contínua.