O acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia, anunciado em julho de 2024, pode demandar investimentos significativos do Brasil em defesa agropecuária para atender às exigências europeias, alerta o Anffa Sindical.
O anúncio do acordo
O pacto foi divulgado na última semana antes de 12 de julho de 2024, marcando um avanço nas negociações entre os blocos econômicos. A ratificação ainda depende da aprovação pelos parlamentos dos países envolvidos. No Brasil, o foco recai sobre o agronegócio, que deve se preparar para um aumento no fluxo comercial.
Principais previsões do acordo
O acordo prevê a eliminação gradual de tarifas sobre 99% do comércio agrícola entre Mercosul e União Europeia. Isso inclui maior fiscalização sanitária em portos, aeroportos e fronteiras brasileiras. Além disso, exige investimentos em rastreabilidade, certificação e monitoramento ambiental para alinhar com os padrões da UE.
Exigências rigorosas da UE
A União Europeia impõe regras estritas em controle sanitário, fitossanitário, ambiental e de bem-estar animal. Esses requisitos visam evitar embargos ou restrições às exportações brasileiras. O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) será central nessa adaptação, garantindo que o Brasil cumpra as normas para maximizar os benefícios do acordo.
Posição do Anffa Sindical
O Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais Federais Agropecuários (Anffa Sindical) enfatiza a necessidade de um orçamento robusto para fortalecer a defesa agropecuária. Janus Pablo Macedo, presidente da entidade, destaca os riscos de não investir adequadamente.
o acordo é uma oportunidade para o agronegócio brasileiro, mas exige uma defesa agropecuária fortalecida. Sem investimentos adequados, corremos o risco de embargos ou restrições que prejudiquem nossas exportações
Macedo também compara com vizinhos: países como Argentina e Uruguai já avançam em adequações, e o Brasil precisa acompanhar o ritmo para não perder competitividade.
o acordo vai aumentar o fluxo comercial, e precisamos estar preparados. Países como a Argentina e o Uruguai já estão se adequando, e o Brasil não pode ficar para trás
Impactos para o agronegócio brasileiro
O acordo representa uma oportunidade para expandir as exportações agrícolas do Brasil, mas exige preparo para evitar barreiras comerciais. Com a ratificação pendente, o governo brasileiro deve priorizar recursos para fiscalização e compliance. Isso pode impulsionar o setor, desde que haja investimentos estratégicos em infraestrutura e treinamento.
Próximos passos e desafios
Enquanto a ratificação avança nos parlamentos, o Anffa Sindical cobra ações imediatas do Mapa. O fortalecimento da defesa agropecuária é essencial para que o Brasil capitalize o acordo Mercosul-UE sem enfrentar sanções. Especialistas veem nisso uma chance de modernização, mas alertam para a urgência de alocar orçamentos adequados.