No início de 2024, os preços dos fertilizantes no Brasil registraram uma alta de até 20% em comparação ao final de 2023, conforme levantamento realizado pela consultoria StoneX. Essa elevação impactou principalmente produtores rurais de grãos em regiões como Mato Grosso e Paraná, onde a dependência de importações é alta. O Ministério da Agricultura (Mapa) acompanha de perto esses movimentos, que são impulsionados por fatores como a valorização do dólar e a demanda internacional.
A alta nos preços dos principais fertilizantes
A ureia apresentou o maior aumento, com alta de 20%, atingindo R$ 2.100 por tonelada no porto de Paranaguá (PR). Já o MAP subiu 15%, chegando a R$ 3.500 por tonelada, enquanto o KCl registrou elevação de 10% a 12%, variando entre R$ 2.200 e R$ 2.400 por tonelada. Esses dados foram coletados entre 1º e 5 de janeiro de 2024, destacando o porto de Paranaguá como um ponto central para as importações.
Fatores que impulsionam os aumentos
A valorização do dólar e a depreciação do real encareceram as importações, já que o Brasil depende de cerca de 85% de suprimentos externos para fertilizantes. Além disso, a demanda aquecida por países como Índia e EUA contribuiu para a pressão nos preços. Sanções internacionais e desafios na logística global também influenciaram essa tendência, tornando as compras mais onerosas para os produtores brasileiros.
Impactos nos produtores rurais
Produtores de grãos em Mato Grosso e Paraná, principais polos agrícolas do país, sentem o peso dessa alta nos custos de produção. Com o plantio da safra em curso no início de 2024, muitos agricultores enfrentam dificuldades para manter a rentabilidade. O Ministério da Agricultura monitora a situação, mas não há indicações imediatas de intervenções para mitigar os efeitos.
A depreciação do real frente ao dólar encarece as compras, e a expectativa é de que os preços se mantenham elevados pelo menos até o primeiro trimestre.
Essa declaração de João Paulo Mendonça, da consultoria StoneX, reflete a perspectiva de continuidade da alta nos preços. Ele aponta que os fatores macroeconômicos e globais devem persistir, afetando o planejamento dos produtores rurais ao longo do ano.
Contexto mais amplo e perspectivas
O Brasil, como grande exportador de commodities agrícolas, depende fortemente de fertilizantes importados para sustentar sua produção. A alta observada no início de 2024 pode influenciar os custos finais de alimentos e a competitividade no mercado internacional. Analistas da StoneX sugerem que uma estabilização do câmbio ou redução na demanda global poderia aliviar a pressão, mas isso depende de variáveis externas imprevisíveis.