Produtores de cebola do Vale do São Francisco, em Pernambuco, realizaram um protesto radical na manhã de 25 de janeiro de 2026, despejando toneladas do produto na rodovia BR-428, próximo a Petrolina. O ato bloqueou a via por várias horas, causando congestionamentos e chamando atenção para os baixos preços de mercado. A Polícia Rodoviária Federal (PRF) interveio, negociando a liberação da estrada sem incidentes.
Detalhes do protesto
A manifestação ocorreu na rodovia BR-428, uma importante via de ligação na região do Vale do São Francisco. Os produtores, organizados pela Associação dos Produtores de Cebola do Vale do São Francisco (Aprocevasf), despejaram as cebolas diretamente na pista. Isso gerou um bloqueio que durou algumas horas, afetando o tráfego local.
A PRF foi acionada para gerenciar a situação. Após negociações, os manifestantes removeram as cebolas, e a rodovia foi liberada por volta das 12h. Não houve confrontos ou detenções durante o protesto.
Motivações dos produtores
Os baixos preços de venda motivaram o ato extremo. Atualmente, a cebola é vendida a R$ 0,50 por quilo, valor insuficiente para cobrir os custos de produção, que incluem insumos, sementes e mão de obra. Essa situação tem levado a desperdícios recorrentes da produção.
Estamos jogando fora porque não vale a pena vender. O custo de produção é alto, e o preço não remunera.
Além disso, a concorrência com importações e a safra abundante em outras regiões agravam o problema. Os produtores alegam que esses fatores deprimem os preços no mercado nacional. O protesto busca chamar atenção para a necessidade de medidas que garantam remuneração justa.
Impactos e contexto
O bloqueio causou transtornos temporários no tráfego da BR-428, mas a rápida resolução evitou maiores complicações. A região do Vale do São Francisco é conhecida pela produção agrícola, e protestos semelhantes destacam desafios enfrentados por agricultores em todo o Brasil. Autoridades locais monitoram a situação para evitar novas interrupções.
Esse episódio reflete questões mais amplas no setor agrícola, como flutuações de mercado e impactos de políticas comerciais. Os produtores esperam que o ato incentive diálogos com o governo para soluções sustentáveis. Enquanto isso, o desperdício de cebolas ilustra as dificuldades econômicas enfrentadas pela categoria.