Na Costa do Marfim, principal produtor mundial de cacau, estoques da safra principal 2025/26 estão se acumulando em armazéns devido à recusa dos exportadores em pagar o preço garantido de 2.800 francos CFA por quilo. Essa situação afeta cooperativas e agricultores locais, com o Conselho do Café e do Cacau intervindo para comprar os estoques e evitar perdas. A crise surge em meio a uma queda nos preços globais do cacau, que atingiram os níveis mais baixos em mais de dois anos na semana passada, por volta de 12 de fevereiro de 2026.
Acúmulo de estoques em armazéns
Em cidades como Duekoue e Remikro, no oeste da Costa do Marfim, sacos de cacau permanecem estocados sem compradores. Cooperativas relatam dificuldades para vender o produto, o que paralisa as operações. O programa de compras do Conselho do Café e do Cacau, iniciado em janeiro de 2026, acelerou no início de fevereiro para lidar com o acúmulo e preocupações com a qualidade do cacau estocado.
Recusa dos exportadores
Exportadores evitam pagar o preço fixado de 2.800 francos CFA por quilo, considerando-o elevado diante da redução na demanda global. Essa recusa leva ao acúmulo de estoques, forçando o conselho regulador a intervir. As aquisições oficiais visam estabilizar o mercado local e proteger os produtores.
Queda nos preços globais
A queda nos preços globais do cacau ocorreu devido à diminuição na demanda internacional, tornando o produto da Costa do Marfim menos competitivo. Na semana passada, os valores atingiram patamares não vistos há mais de dois anos. Essa dinâmica afeta diretamente os exportadores, que optam por não adquirir o cacau a preços garantidos.
Impacto nos agricultores e cooperativas
Agricultores como Frederic Kouassi Kouassi enfrentam ofertas abaixo do esperado, o que compromete sua renda. Cooperativas, como a liderada por Sekou Dagnogo, acumulam dívidas com produtores devido à paralisação das vendas. A intervenção do conselho oferece uma garantia de recompra, mas não resolve todos os desafios imediatos.
As coisas não andam bem há algum tempo, então tudo está parado no momento e atualmente devemos muito dinheiro aos agricultores. Eles nos garantiram que recomprarão o produto.
Sekou Dagnogo, líder de uma cooperativa, destacou as dificuldades atuais e a confiança na recompra oficial.
Eles nos oferecem uma escolha que não nos convém e, devido à falta de recursos, somos obrigados a aceitar esses preços. Se alguém vier e lhe oferecer pelo menos 500 francos CFA para vender o que está lá, já que as árvores ainda estão vivas, você aceita e nunca se desanima.
Frederic Kouassi Kouassi, um agricultor afetado, expressou frustração com as opções limitadas e a necessidade de aceitar propostas mínimas para sobreviver.
Perspectivas para a safra
A safra principal 2025/26 continua em andamento, mas o acúmulo de estoques pode influenciar a produção futura se não for resolvido. O Conselho do Café e do Cacau acelera as compras para mitigar riscos à qualidade. Analistas monitoram se a intervenção estabilizará o mercado local em meio às flutuações globais.