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terça-feira , 9 junho 2026
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Produtores de soja em Mato Grosso enfrentam perdas de até 40% e endividamento na safra 2023/24

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Lavoura de soja em Mato Grosso com plantas danificadas, representando perdas de até 40% e endividamento na safra 2023/24.

A safra 2023/24 de soja em Mato Grosso enfrentou perdas significativas na produtividade, endividamento crescente entre os produtores e uma colheita prolongada e complicada, agravada por condições climáticas adversas, segundo relatos de agricultores e especialistas.

Impactos climáticos na produção

As chuvas irregulares durante o plantio, seguidas por veranicos prolongados e excesso de umidade na fase de colheita, resultaram em quebras de produtividade acima de 40% em algumas áreas de Mato Grosso, especialmente em Tangará da Serra. Produtores rurais relataram dificuldades com máquinas atoladas no solo encharcado e grãos colhidos com umidade elevada, o que aumenta o risco de pragas e compromete a qualidade do produto.

De acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT), esses fatores climáticos prolongaram a colheita de janeiro a abril de 2024, tornando o processo mais custoso e ineficiente.

Desafios econômicos para os produtores

O endividamento dos produtores rurais cresceu devido aos custos de produção elevados em até 30%, combinados com a queda nos preços da soja no mercado internacional. Muitos agricultores, como João Silva (nome fictício), enfrentam dificuldades para pagar financiamentos, com a receita da safra cobrindo apenas uma fração das dívidas.

Plantamos esperando uma média de 60 sacas por hectare, mas estamos colhendo entre 30 e 40 sacas. É desolador

Tenho financiamentos para pagar, mas a receita da safra não cobre nem metade. Vamos precisar renegociar dívidas ou vender ativos

Perspectivas e lições aprendidas

A agrônoma Maria Oliveira destacou os riscos na colheita sob condições de umidade excessiva, que afetam a qualidade dos grãos e podem gerar descontos na comercialização. Ela enfatiza a necessidade de investimentos em seguros agrícolas e diversificação de culturas para mitigar impactos futuros.

Estamos colhendo no limite, com umidade acima do ideal. Isso afeta a qualidade e pode gerar descontos na comercialização

É uma lição dura. Precisamos investir mais em seguros agrícolas e diversificação de culturas

O coordenador do Projeto Soja Brasil, Paulo Oliveira, resume a situação como um exemplo de resiliência no campo brasileiro, apesar das adversidades climáticas e econômicas enfrentadas na safra 2023/24.

Essa é a realidade do campo brasileiro: resiliência em meio à adversidade

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