Levantamento revela que apenas 34% dos produtores conhecem o mercado de carbono, enquanto mudanças climáticas já preocupam 86% do agro nacional
O mercado de crédito de carbono ainda é pouco conhecido entre os produtores rurais brasileiros. É o que revela a 9ª Pesquisa Hábitos do Produtor Rural, realizada pela Associação Brasileira de Marketing Rural e Agro (ABMRA). Segundo o levantamento, apenas 34% dos entrevistados afirmam conhecer o tema, evidenciando que a pauta da sustentabilidade ainda enfrenta desafios de comunicação e adesão no agronegócio brasileiro.
Dentro desse grupo, 33% dizem possuir algum nível de conhecimento sobre crédito de carbono, enquanto somente 24% já participam de iniciativas ligadas ao setor. Entre as práticas mais adotadas pelos produtores inseridos nesse contexto, a conservação de áreas naturais lidera com 66% das respostas, seguida por técnicas agrícolas sustentáveis, com 42%, e ações de reflorestamento, mencionadas por 34%.
Mudanças climáticas já preocupam produtores
A pesquisa mostra ainda que a percepção sobre os impactos climáticos está cada vez mais presente no campo. Cerca de 86% dos produtores acreditam que as mudanças climáticas irão interferir diretamente na produção agrícola nos próximos anos.
Apesar dessa preocupação crescente, a adoção de práticas sustentáveis ainda encontra obstáculos. Apenas 31% dos entrevistados consideram altas ou muito altas as barreiras para implementação dessas técnicas. Entre os principais entraves apontados estão a falta de informação clara, carência de apoio técnico, dificuldade de acesso a recursos financeiros e dúvidas sobre os benefícios econômicos dessas iniciativas.
Para o presidente da ABMRA, Ricardo Nicodemos, existe uma oportunidade estratégica para ampliar o conhecimento sobre sustentabilidade no agronegócio brasileiro.
“Há uma oportunidade clara para as marcas ampliarem a comunicação e levarem conhecimento para o produtor sobre o que já é feito e como essas práticas se conectam a novas agendas, como o crédito de carbono”, destacou.
Sustentabilidade e comunicação ganham espaço no agro
Segundo a entidade, muitos produtores já adotam ações sustentáveis sem necessariamente associá-las ao mercado de carbono. A conservação ambiental aparece como principal iniciativa entre aqueles que já participam de programas ligados ao tema, reforçando o potencial do Brasil no cenário global de agricultura sustentável.
O estudo também destaca a importância de melhorar a comunicação sobre as práticas já realizadas no campo, especialmente em estados com forte presença agropecuária, como Bahia, Mato Grosso, Goiás e Paraná. O avanço do mercado de carbono é visto como uma oportunidade para diversificar renda e fortalecer a imagem sustentável do agro brasileiro no mercado internacional.
Perfil do produtor rural mistura tradição e avanço técnico
A pesquisa da ABMRA também traçou um panorama do perfil do produtor rural no Brasil. Atualmente, a média de idade no campo é de 48 anos e 61% dos entrevistados afirmam atuar no setor por tradição familiar.
Ao mesmo tempo, o nível de conhecimento técnico avançou significativamente nos últimos anos. O índice de produtores com maior capacitação passou de 24% em 2021 para 43% em 2025, indicando um processo de modernização crescente no agronegócio.
Outro dado relevante é a valorização da participação feminina na gestão das propriedades rurais. Segundo o levantamento, 98% dos produtores consideram a atuação da mulher vital ou muito importante na condução das atividades no campo.
A pesquisa ouviu 3.100 produtores rurais presencialmente em 16 estados brasileiros, abrangendo 14 culturas agrícolas, quatro tipos de rebanhos e um questionário com 280 perguntas.
