Mercado reage à valorização do dólar no Brasil e aos baixos estoques certificados de arábica na ICE
O mercado internacional do café encerrou a quarta-feira com valorização nas bolsas de Nova Iorque e Londres, impulsionado pela alta do dólar no Brasil, estoques reduzidos e preocupação crescente com a oferta global da commodity. O movimento reforça a volatilidade que vem marcando o setor cafeeiro em 2026 e mantém produtores e exportadores atentos ao comportamento cambial e climático.
Na ICE Futures US, em Nova Iorque, os contratos do café arábica fecharam em leve alta. O vencimento julho/26 avançou 60 pontos, encerrando a sessão cotado a 280,75 cents por libra-peso. O setembro/26 também subiu 60 pontos, para 273,40 cents/lbp, enquanto o dezembro/26 registrou valorização de 75 pontos, encerrando a 267,05 cents/lbp.
Robusta também avança em Londres
O café robusta acompanhou o movimento positivo na bolsa de Londres. O contrato julho/26 avançou 78 pontos, negociado a US$ 3.560 por tonelada. Já o setembro/26 teve alta de 77 pontos, para US$ 3.440 por tonelada, enquanto o novembro/26 subiu 72 pontos, fechando a US$ 3.360 por tonelada.
O avanço do dólar frente ao real foi um dos principais fatores de sustentação do mercado. Durante a tarde, a moeda norte-americana chegou a subir mais de 2%, refletindo o aumento das incertezas políticas e financeiras no Brasil. A valorização cambial tende a favorecer as exportações brasileiras e impacta diretamente a formação dos preços do café no mercado interno.
Estoques baixos seguem sustentando os preços
Outro fator de suporte para as cotações continua sendo o baixo volume dos estoques certificados de café arábica monitorados pela ICE. Segundo análises do mercado internacional, os níveis historicamente reduzidos reforçam o temor de restrição na oferta global e mantêm compradores atentos ao abastecimento nos próximos meses.
Além disso, as condições climáticas seguem no radar dos operadores. As chuvas permanecem irregulares em importantes regiões produtoras do Sudeste brasileiro, enquanto o mercado acompanha o avanço da colheita do café conilon e o início gradual da safra de arábica.
Mercado físico segue cauteloso no Brasil
No mercado físico brasileiro, os negócios seguem moderados. Produtores continuam cautelosos diante da volatilidade nas bolsas internacionais e das oscilações do dólar. A expectativa é de que o ritmo de comercialização continue seletivo enquanto o mercado busca maior definição sobre a safra brasileira e o cenário macroeconômico global.
O Brasil segue como maior produtor e exportador mundial de café, fator que mantém o país no centro das atenções do mercado internacional, especialmente em momentos de maior sensibilidade climática e cambial.
