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segunda-feira , 7 setembro 2026
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União Europeia suspende carnes do Brasil e bloqueio pode afetar US$ 2 bilhões em exportações

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Restrição alcança carne bovina, frango, suínos, mel, pescados e ovos; medida está ligada às exigências europeias sobre controle de antimicrobianos e não à identificação de contaminação nos produtos brasileiros.

A União Europeia iniciou nesta quinta-feira (3) a suspensão da entrada de uma série de produtos de origem animal procedentes do Brasil. O bloqueio vale para os 27 países do bloco e atinge carnes bovina, de frango e suína, além de mel, pescados e ovos. O impacto potencial pode chegar a US$ 2 bilhões por ano nas exportações brasileiras, conforme os dados apresentados pela Agência Brasil.

A medida representa um novo desafio para o agronegócio brasileiro, principalmente para as cadeias de proteína animal. Apesar do peso econômico da decisão, a restrição não decorre da identificação de contaminação ou de um problema sanitário específico nos produtos brasileiros. O impasse está relacionado às garantias exigidas pela União Europeia para controle, rastreabilidade e uso de antimicrobianos na produção animal.

Europa questiona controle de antimicrobianos

As regras europeias proíbem o uso de determinados antimicrobianos como promotores de crescimento e estabelecem restrições para substâncias consideradas importantes no tratamento de infecções em seres humanos. Segundo o material, a avaliação do bloco é de que os mecanismos brasileiros ainda não oferecem garantias suficientes de conformidade com essas exigências. O governo brasileiro contesta esse entendimento e sustenta que a legislação nacional já impõe restrições ao uso dessas substâncias.

O Brasil vem adotando medidas para tentar solucionar o impasse, incluindo novas regras de controle, proibição de determinados antimicrobianos e desenvolvimento de um protocolo de rastreabilidade. Na bovinocultura, o modelo prevê acompanhamento desde o nascimento até o abate. Segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), todas as associadas habilitadas para exportar à União Europeia aderiram ao protocolo privado desenvolvido pelo setor, conforme informado pela Agência Brasil.

Carne bovina concentra maior risco econômico

Entre os segmentos atingidos, a carne bovina brasileira concentra parcela expressiva da exposição financeira. Em 2025, as vendas do produto para a União Europeia alcançaram aproximadamente US$ 1,7 bilhão. Embora o bloco responda por uma parcela limitada do volume total exportado pelo Brasil, trata-se de um mercado estratégico por demandar cortes de maior valor agregado.

A retomada da bovinocultura também pode ser mais complexa. Como o protocolo exige rastreabilidade durante todo o ciclo de vida, um animal inserido agora no novo sistema poderá levar entre 24 e 36 meses para chegar ao abate. No frango, por outro lado, o ciclo produtivo de aproximadamente 45 dias pode permitir uma adequação mais rápida. Técnicos europeus realizam nesta semana auditoria nas cadeias brasileiras de frango e mel, e o setor avícola trabalha com a possibilidade de retomada ainda em 2026, dependendo da avaliação europeia.

Bahia também acompanha impacto sobre o agro

Para o agronegócio da Bahia, o desenvolvimento das negociações merece atenção sobretudo pelos possíveis reflexos sobre a pecuária, a avicultura e a cadeia do mel. Caso produtos inicialmente direcionados à Europa sejam redirecionados para outros destinos ou para o mercado doméstico, poderá haver mudanças nos fluxos comerciais e na oferta interna. O próprio material ressalta, porém, que eventual aumento da disponibilidade no Brasil não significa automaticamente redução dos preços ao consumidor.

O próximo passo será a conclusão da auditoria europeia e a análise das garantias apresentadas pelo Brasil. Não há, até o momento, data definida para o fim da suspensão. Enquanto as negociações avançam, frigoríficos e demais segmentos atingidos terão de administrar estoques, buscar mercados alternativos e acelerar a adequação às exigências regulatórias da União Europeia.

Fonte-base: Agência Brasil, reportagem de Wellton Máximo, publicada em 3 de setembro de 2026.

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