A Raízen, controlada pela Cosan e pela Shell, enfrenta uma dívida líquida de R$ 49,2 bilhões, um aumento de 56% em relação ao ano anterior, o que levou a empresa a considerar um aumento de capital pela primeira vez desde o início da crise. Essa medida, anunciada junto com o balanço que registrou prejuízo de R$ 1,8 bilhão no primeiro trimestre da safra 2025/26, visa reduzir o endividamento para níveis sustentáveis pela geração de caixa. Analistas do BTG Pactual veem a capitalização como positiva, mas alertam que vendas de ativos e ajustes operacionais sozinhos não bastam para acelerar a desalavancagem, que atingiu 4,5 vezes no fim de junho.
A reação no mercado foi imediata: por volta das 12h, as ações da Raízen caíam mais de 13%, liderando as quedas no Ibovespa, enquanto a Cosan recuava mais de 5%. O CFO Rafael Bergman confirmou conversas ativas com os controladores, mas sem detalhes definitivos, destacando um plano com alto grau de confiança. Apesar do Ebitda ajustado ter caído 23%, ele superou expectativas em 6%, graças a melhorias na gestão de riscos em trading e redução de despesas.
Enquanto prepara o possível aporte, a Raízen continua desinvestindo em ativos não essenciais, tendo vendido quase R$ 3 bilhões no último ano, incluindo usinas como a de Leme e a Santa Elisa. Bergman explicou que o foco é tornar o negócio de etanol, açúcar e bioenergia mais eficiente, possivelmente reduzindo o número de usinas de 27 para uma escala ainda relevante. A companhia manteve o guidance para moagem de cana, mirando o ponto médio para baixo, e espera alta nos preços de açúcar e etanol para fortalecer receitas futuras.