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sábado , 7 março 2026
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Índia e Ásia enfrentam oscilações na produção de açúcar com impactos globais

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A produção de açúcar na Índia para a safra 2024/25 ficou aquém das expectativas, totalizando cerca de 30 milhões de toneladas brutas, conforme análise da coordenadora de inteligência de mercado da Hedgepoint, Lívea Coda. Após o desvio de 3,4 milhões de toneladas para a produção de etanol, a produção líquida alcançou 26,1 milhões de toneladas. O país exportou 800 mil toneladas nessa temporada, com a possibilidade de transferir 200 mil toneladas adicionais para a safra seguinte. Essas decisões refletem políticas governamentais que equilibram a produção interna com demandas energéticas, como o uso de etanol, influenciando o mercado global.

Para a safra 2025/26, as projeções indicam uma melhora significativa, impulsionada por chuvas abundantes em maio que melhoraram a umidade do solo e o desenvolvimento das culturas. A primeira estimativa da Associação Indiana de Usinas de Açúcar (ISMA) aponta para uma produção bruta próxima a 35 milhões de toneladas, com desvio para etanol entre 4 e 4,5 milhões de toneladas, resultando em uma produção líquida entre 30,5 e 31 milhões de toneladas. A Hedgepoint alinha sua estimativa ao limite superior dessa faixa, em 31 milhões de toneladas, com potencial de alta. Coda destacou que as exportações foram revisadas para 1,5 milhão de toneladas, considerando cotas não utilizadas e pedidos da ISMA ao governo para autorizar cerca de 2 milhões de toneladas, o que poderia afetar os estoques nacionais abaixo da meta de três meses de consumo.

Na Tailândia, a safra 2024/25 registrou uma produção de 10 milhões de toneladas de açúcar, graças à expansão da área cultivada e à recuperação parcial da produtividade. A moagem de cana cresceu para 92 milhões de toneladas, um aumento de 10 milhões em relação à safra anterior, com mais de 85% proveniente de cana fresca. As exportações mantiveram-se estáveis, somando 3,57 milhões de toneladas até junho, com um aumento de 18% no açúcar bruto e uma queda de 14% no branco. A expectativa é de exportações totais em 6,7 milhões de toneladas, sem acúmulo significativo de estoques, o que reflete estratégias de gestão agrícola tailandesas para evitar excedentes.

Para a próxima temporada na Tailândia, a Hedgepoint revisou a previsão de produção de cana para 100 milhões de toneladas, uma recuperação moderada devido a riscos de doenças fúngicas, embora as condições climáticas sejam favoráveis com chuvas acima da média em setembro e outubro. Essas projeções destacam como políticas agrícolas regionais lidam com desafios ambientais, influenciando o comércio internacional de commodities.

Na China, a produção de açúcar em 2024/25 atingiu 11,16 milhões de toneladas, suportada por um aumento de mais de 10% na área plantada, alcançando 1,39 milhão de hectares. A produtividade foi de 58,65 toneladas por hectare, ligeiramente inferior à safra anterior, mas resultando em um crescimento total de quase 12%. As importações em junho foram de 740 mil toneladas, um recorde para o período, apesar de ficarem abaixo das expectativas iniciais. O Ministério da Agricultura chinês revisou sua previsão de importações para 5 milhões de toneladas, enquanto a Hedgepoint estima 4,6 milhões de toneladas de açúcar bruto e pelo menos 1 milhão em equivalente de xarope, com o contrabando continuando relevante.

Para 2025/26, a Associação de Açúcar da China projeta uma produção de 11,2 milhões de toneladas, com leve aumento na área e produtividade estimada em 59,7 toneladas por hectare. A entidade prevê estabilidade nas importações e crescimento marginal da demanda, levando a um acúmulo de cerca de 1 milhão de toneladas em estoques. Esses cenários, combinados com o desempenho no Hemisfério Norte e na safra do Centro-Sul brasileiro, sugerem que os preços internacionais podem favorecer a acumulação de estoques, impactando negociações comerciais globais.

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