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sexta-feira , 6 março 2026
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Eurochem inova no financiamento agrícola com captação de R$ 450 milhões via FIDC

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Em meio a um cenário de crédito bancário restrito para o agronegócio, os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) estão ganhando destaque como alternativa de financiamento, atraindo novos players. A Eurochem, empresa especializada em fertilizantes, é uma das estreantes nessa modalidade, tendo captado recentemente R$ 450 milhões por meio de um fundo estruturado pela Integral Investimentos e ancorado pela Kinea.

O objetivo principal do FIDC é financiar a aquisição de fertilizantes pelos clientes da Eurochem, majoritariamente produtores rurais, o que ajuda a reduzir a dependência de outras fontes de funding. Nessa estrutura, a empresa vende parte de suas contas a receber ao fundo, com foco em produtores rurais, mas a incorporação não é automática: a gestão seleciona os recebíveis com base em critérios rigorosos, como evitar concentração geográfica e de devedores.

Felipe Greco, gestor de agro da Kinea, destaca que a escolha por players robustos e estruturas customizadas agrega valor para todas as partes envolvidas. Segundo ele, os clientes da Eurochem ganham acesso a crédito, a empresa expande suas vendas com funding competitivo, e os investidores obtêm exposição a operações de alto nível de crédito.

O fundo tem um prazo de 36 meses, iniciado em junho deste ano, com planos de revolver os recebíveis a cada safra. Até o momento, foram integralizados R$ 420 milhões para a compra de recebíveis, e o restante deve ser concluído nos próximos dois meses, coincidindo com o pico da safra, conforme explica Cristiano Greve, sócio da Integral Investimentos.

Como é comum em estruturas de FIDCs, o fundo conta com cotas sênior e subordinadas. A cota sênior foi integralmente subscrita pela Kinea, com remuneração de CDI mais 2,75% ao ano, e a gestora aportou inicialmente R$ 30 milhões, provenientes de seus fiagros e outras estruturas de crédito.

Greco enfatiza que o interesse pela operação surge da robustez da estrutura de risco, com pulverização da carteira e alinhamento de interesses com o sponsor. A cota subordinada, subscrita integralmente pela Eurochem, representa uma boa prática de mercado, reforçando a confiança ao absorver eventuais perdas.

O FIDC possui uma subordinação de 25%, o que, na análise de Greve, é mais do que suficiente para cobrir perdas esperadas, garantindo a solidez da operação em um contexto de desafios econômicos para o setor agrícola.

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