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Bahia reativa Câmara Setorial da Citricultura para enfrentar crise no setor

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A Secretaria da Agricultura, Pecuária, Irrigação, Pesca e Aquicultura da Bahia (Seagri), em parceria com a Prefeitura de Rio Real, anunciou nesta quinta-feira (21) a reativação das atividades da Câmara Setorial da Citricultura. O evento reuniu mais de 150 representantes da cadeia produtiva de frutas cítricas de 20 municípios baianos, marcando um esforço do governo estadual para fortalecer o setor em meio a desafios econômicos e logísticos.

Durante o encontro, foram definidas as primeiras ações para a reestruturação da câmara, incluindo o cadastramento de instituições representativas do setor citrícola, a indicação de membros titulares e suplentes, e a elaboração de um cronograma de reuniões. Essa iniciativa surge em um contexto de altos custos de produção, oscilação de preços e problemas no escoamento da safra, afetando produtores da região conhecida como Sealba, que abrange Sergipe, Alagoas e Bahia.

O presidente do Sindicato dos Produtores Rurais de Rio Real, Fernando Braz, enfatizou a importância da reativação em um momento decisivo para o setor. Segundo ele, a câmara devolve representatividade aos produtores e fornece ferramentas para transformar desafios em oportunidades. Uma reportagem recente destacou a crise no escoamento da produção de laranjas na região, com relatos de dificuldades enfrentadas pelos citricultores.

O citricultor Luan Roger, de Rio Real, descreveu problemas de descompasso na produção, onde os frutos atingem diferentes estágios de maturação simultaneamente. Ele questionou a complexidade de gerenciar a floração e a colheita, com pomares apresentando laranjas maduras, verdes e novas florações ao mesmo tempo, o que complica o manejo e o escoamento eficiente.

Em Estância, Sergipe, produtores como Reginaldo Corsino relataram descarte de laranjas por não atenderem aos padrões do mercado de sucos, além de acúmulo de caminhões nas indústrias. Corsino apontou que o preço pago pela indústria é de R$ 270 por tonelada, valor que não compensa os custos de produção estimados entre R$ 350 e R$ 400 por tonelada, enquanto a laranja de mesa atinge R$ 500, agravando as perdas financeiras.

As Câmaras Setoriais Agropecuárias, criadas pelo governo da Bahia em 2023, funcionam como órgãos consultivos que reúnem representantes do poder público e da cadeia produtiva para propor políticas e ações de fortalecimento das atividades agrícolas no estado.

De acordo com o secretário estadual da Agricultura, Pablo Barrozo, a reativação da Câmara Setorial da Citricultura representa um marco para a citricultura baiana. Ele afirmou que o objetivo é construir pontes entre produtores e políticas públicas, visando transformar o setor em uma vertente capaz de se desenvolver, gerar emprego e renda na região.

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