Pesquisadores da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf) estão desenvolvendo um protetor solar inovador, produzido a partir do maracujá-da-caatinga (Passiflora cincinnata), também conhecido como maracujá-do-mato, fruto nativo do semiárido nordestino.
O produto, já aprovado em testes laboratoriais em parceria com a Universidade Federal de Goiás (UFG), apresenta fator de proteção solar 30 (FPS 30), valor mínimo recomendado por dermatologistas. Uma empresa do setor cosmético já demonstrou interesse em iniciar a produção em escala.
Conhecimento popular que virou ciência
Tradicionalmente, a planta é utilizada pelas comunidades sertanejas na forma de chás, xaropes e geleias, sendo associada a benefícios contra depressão, colesterol e diabetes.
No laboratório, os estudos comprovaram que o maracujá-da-caatinga possui propriedades analgésicas, anti-inflamatórias, sedativas, ansiolíticas e antidepressivas. Esses resultados foram publicados em revistas científicas nacionais e internacionais.
Flavonoides: proteção natural contra o sol
O maracujá-da-caatinga é rico em flavonoides, compostos antioxidantes e anti-inflamatórios que desempenham na planta o papel de barreira contra a radiação solar.
“Se os flavonoides conseguem proteger a planta contra os raios ultravioleta, também podem proteger a nossa pele”, explicam os pesquisadores.
Essa descoberta transformou o extrato das folhas da planta em um ingrediente estratégico para a indústria de cosméticos, especialmente para a formulação de protetores solares.
Potencial econômico e valorização da Caatinga
Além do uso medicinal, o maracujá-da-caatinga já movimenta a economia local. Cooperativas utilizam o fruto para a produção de geleias, doces, sucos e até cerveja artesanal, gerando renda para agricultores familiares do sertão nordestino.
Agora, com o avanço científico, o fruto ganha protagonismo também no setor da inovação e sustentabilidade, reforçando o potencial da biodiversidade da Caatinga como fonte de desenvolvimento econômico e social.