O maior portal de notícias do agro brasileiro.
sábado , 25 abril 2026
Início Agricultura Do tabaco à qualidade de vida: produtores do Sul abandonam cultivo tradicional em busca de alternativas
Agricultura

Do tabaco à qualidade de vida: produtores do Sul abandonam cultivo tradicional em busca de alternativas

95

Apesar da alta renda gerada pela produção de tabaco em pequenas áreas no sul do Brasil, alguns produtores estão optando por abandonar essa cultura em favor de opções que priorizam a saúde e o bem-estar familiar.

É o caso de Tatiana Fernanda Schott, de Paraíso do Sul (RS), que cresceu trabalhando na lavoura de tabaco ao lado da mãe e assumiu uma área de 1,5 hectare após a aposentadoria dela. Há três anos, Tatiana decidiu mudar de rumo, influenciada por uma vizinha com abordagem agroecológica e pela sua segunda gravidez.

Ela e o marido pararam de plantar tabaco e passaram a se dedicar a uma horta orgânica de 0,5 hectare já certificada, com o restante em processo de certificação. “Foi uma escolha saudável. Agora, posso levar meus filhos para a lavoura sem medo”, relata Tatiana, destacando que seu filho até come alface diretamente na roça.

A produtora critica o modelo da indústria do tabaco, onde as empresas controlam os preços e os insumos, obrigando os agricultores a vender para quitar dívidas. Com a horta, ela define os próprios preços e vende em feiras, mantendo a renda familiar sem perda financeira, mas com ganho significativo em qualidade de vida. Além disso, cultivam milho para ração animal e criam bichos para consumo próprio.

Tatiana observa que a falta de incentivos financeiros para outras culturas desestimula os produtores, que se acomodam com o tabaco por ser uma opção pronta. Na sua cidade, apenas ela e a vizinha abandonaram a cultura, e sua mãe não aprovou a decisão.

Outra história semelhante é a de Rosa Harthmann, de Cristal (RS), que deixou o tabaco após 35 anos, incentivada por uma filha que optou por permanecer no campo, mas buscou alternativas. Inspirada por produtores da Serra Gaúcha que cultivam uva e morango, Rosa escolheu o morango por demandar menos mão de obra e render até 50% mais que o tabaco em áreas pequenas.

Ela produz a fruta sem agrotóxicos, com colheita o ano todo, e criou uma agroindústria para geleias e doces, vendidos na propriedade, feiras e exposições. Rosa destaca a falta de qualidade de vida no tabaco, especialmente para mulheres, com exposição a intempéries e negociações humilhantes com a indústria.

Ambas as experiências apontam para uma transição possível, mas desafiadora, que poderia ser facilitada por políticas de incentivo a cultivos alternativos, reduzindo a dependência do tabaco no interior gaúcho.

Relacionadas

Pesquisa da Unesp revela aumento de até 30% no valor do chocolate amazônico com processamento adequado

Descubra como pesquisa da Unesp mostra que processamento adequado eleva o valor...

Expiração de patente da Bayer reacende disputa bilionária por royalties na soja

Expiração da patente da Bayer reacende disputa bilionária por royalties na soja...

Joaninhas impulsionam controle biológico sustentável nas lavouras brasileiras

Descubra como as joaninhas atuam no controle biológico de pragas nas lavouras...