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Produtor corta custos, mas multinacionais veem espaço para biológicos com ganho de eficiência

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Desafio do setor é convencer produtores da importância estratégica desses insumos, que prometem ganhos de eficiência e sustentabilidade no campo

Mercado em expansão apesar da retração

Em meio a margens mais apertadas e ao aumento da restrição de crédito, empresas multinacionais do agronegócio mantêm a aposta no mercado de bioinsumos. O grande desafio, segundo executivos do setor, é convencer o produtor rural de que esses produtos, ainda vistos como complementares, podem se tornar estratégicos para ganhos de produtividade, rentabilidade e uso racional de fertilizantes.

Embora o agricultor priorize insumos considerados essenciais — sementes, defensivos e fertilizantes — as companhias defendem que os biológicos precisam ser incorporados à lista de itens indispensáveis. Essa mudança de percepção, avaliam, depende de forte investimento em geração de demanda e em iniciativas de conscientização no campo.

Ganhos de eficiência e sinergia com fertilizantes

De acordo com especialistas, os bioinsumos atuam de forma sinérgica com a adubação, possibilitando maior eficiência no uso dos nutrientes. Em alguns casos, é possível até reduzir a quantidade de fertilizantes aplicados sem comprometer o desempenho agronômico, já que os biológicos melhoram a absorção dos nutrientes já presentes no solo.

Essa característica é considerada estratégica em anos de alta nos preços dos fertilizantes, reforçando a percepção de que os biológicos não são apenas um custo adicional, mas um investimento que pode gerar retorno econômico.

Perspectivas de crescimento em dois dígitos

Apesar da retração na rentabilidade do produtor, as multinacionais estimam que o mercado de bioinsumos seguirá crescendo no Brasil, ainda que em ritmo mais moderado do que em anos anteriores. A expectativa é de expansão entre 10% e 20% em 2025, índice considerado expressivo diante do cenário desafiador no campo.

O país já figura como um dos principais polos de crescimento global do segmento, com expansão anual de 19%, acima da média mundial de 12%, segundo levantamento da Abisolo em parceria com a McKinsey.

Investimentos estratégicos e centros de pesquisa

As companhias têm reforçado sua presença no Brasil com aportes milionários em plantas industriais, centros de pesquisa e parcerias com universidades e instituições locais. O objetivo é adaptar tecnologias originalmente desenvolvidas na Europa às condições específicas da agricultura tropical.

A tendência é que, nos próximos anos, dezenas de novos produtos sejam introduzidos no mercado nacional, consolidando o Brasil como peça-chave para a estratégia global das empresas no setor de biológicos.

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