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sexta-feira , 24 abril 2026
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Justiça goiana concede fôlego a produtores rurais com recuperação judicial de R$ 29 milhões

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A 2ª Vara Cível de Jataí, em Goiás, autorizou o processamento de uma recuperação judicial no valor de R$ 29,1 milhões para um grupo de produtores rurais da região. A decisão judicial surge em um momento de grave crise no agronegócio brasileiro, caracterizada por quebras de safra, queda nos preços das commodities e elevados custos de produção. O escritório Amaral e Melo Advogados, responsável pela condução do caso, destacou a importância da medida para a preservação da atividade produtiva.

Com a aprovação da recuperação judicial, todas as ações e execuções contra os produtores ficam suspensas por 180 dias. Esse período permite que o grupo reorganize suas finanças e negocie com credores de forma mais estruturada. O juiz responsável também reconheceu a consolidação substancial do grupo familiar, o que possibilita o tratamento conjunto de dívidas e bens, simplificando o processo e facilitando a gestão das obrigações.

Heráclito Higor Noé, advogado responsável pela condução técnica do caso, enfatizou que o deferimento demonstra a segurança jurídica no setor. Segundo ele, a decisão reforça a confiança no sistema judiciário para lidar com desafios econômicos enfrentados pelos produtores rurais. A medida é vista como um passo essencial para evitar o colapso de empreendimentos familiares no campo.

Leandro Amaral, sócio-fundador do escritório Amaral e Melo Advogados, comentou que o sucesso técnico do processo se baseou na demonstração, com base na documentação e na legislação, como o artigo 971 do Código Civil, de que o grupo familiar atende aos requisitos legais para a recuperação. Ele destacou que foram apresentados os motivos da crise, a viabilidade do negócio e o espírito da lei, que visa proteger atividades produtivas viáveis.

Amaral pontuou ainda que o Judiciário reconheceu a gravidade da crise setorial, e não um caso isolado de má administração. A recuperação judicial, segundo ele, não representa um “calote”, mas um instrumento legítimo para que os produtores honrem compromissos de forma organizada. Isso preserva a produção agrícola, os empregos gerados e a função social do agronegócio na economia brasileira.

A decisão judicial em Jataí pode influenciar outros casos semelhantes no país, especialmente em regiões afetadas pela instabilidade econômica no setor rural. Com o agronegócio sendo um pilar da economia nacional, medidas como essa destacam o papel do Poder Judiciário em mitigar impactos de crises globais e locais, garantindo a continuidade de operações essenciais para o abastecimento e a exportação.

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