Gigante do agronegócio inicia monitoramento em larga escala das emissões e remoções de carbono
A SLC Agrícola anunciou a implementação de um projeto considerado um dos mais abrangentes do agronegócio brasileiro na área de sustentabilidade: a mensuração em larga escala das emissões e remoções de carbono em suas operações. A iniciativa, desenvolvida em parceria com a deeptech Fluere, cobre 736 mil hectares de terras distribuídos em 23 fazendas da companhia, monitorando culturas como soja, milho, algodão e também áreas destinadas à pecuária.

O sistema utiliza recursos avançados de automação e inteligência de dados, permitindo acompanhar em tempo real o desempenho de mais de 2 mil lavouras. Ao todo, são processados mais de 50 milhões de registros, com 99% das operações realizadas de forma automatizada. Esse nível de precisão já possibilitou à companhia reportar em 2024 a captura de mais de 500 mil toneladas de CO₂, resultado 122% superior ao registrado em 2019. Quase metade das emissões de escopo 1 da empresa foi compensada apenas com o uso de plantas de cobertura.
O projeto teve início em 2021 dentro do programa AgroX, com apoio de instituições de fomento como CNPq e Fapesp. Após quatro anos de desenvolvimento, alcançou uma estrutura capaz de atender a protocolos internacionais como o GHG Protocol, FLAG e RenovaBio, preparando a empresa para futuras exigências regulatórias e demandas de transparência da cadeia de valor.
Para o gerente de sustentabilidade Tiago Agne, o diferencial do projeto está em transformar métricas ambientais em dados confiáveis que fortalecem a estratégia de negócios. Segundo ele, além de medir emissões, a plataforma traz a capacidade de quantificar o impacto positivo da agricultura regenerativa, prática já adotada pela companhia em boa parte das áreas produtivas.
As práticas sustentáveis vêm refletindo também no desempenho produtivo. Entre 2017 e 2024, a SLC obteve médias 12% acima dos índices nacionais em soja e algodão, com menor volatilidade e custos reduzidos em insumos. Atualmente, cerca de 35% das áreas contam com plantas de cobertura e 16% utilizam bioinsumos, fortalecendo a saúde do solo e a resiliência frente às mudanças climáticas.
Um estudo conduzido pela re.capital reforçou essa visão ao analisar duas décadas de dados da companhia. A conclusão foi que práticas regenerativas não apenas reduzem riscos de safra, como podem abrir caminho para instrumentos financeiros verdes, como seguros adaptados à variabilidade climática e linhas de crédito voltadas à sustentabilidade.
Com o avanço do projeto, a SLC Agrícola pretende contribuir para que o agronegócio brasileiro se consolide como protagonista na agenda de carbono e em soluções de produção que conciliem eficiência econômica e responsabilidade ambiental.