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Exoneração no Ministério da Agricultura agita bastidores às vésperas da COP30

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Saída de Pedro Alves Corrêa Neto, responsável por políticas de sustentabilidade no agro, ocorre após ele ser citado em caso de transferência suspeita de R$ 50 mil ligado à Conafer.

Mudança inesperada a três semanas da COP30

A apenas 21 dias da COP30, o Ministério da Agricultura anunciou a exoneração de Pedro Alves Corrêa Neto, então secretário de Inovação, Desenvolvimento Sustentável, Irrigação e Cooperativismo. A decisão, publicada no Diário Oficial da União nesta segunda-feira (20/10), surpreendeu por atingir uma das principais figuras ligadas à agenda de sustentabilidade do agronegócio brasileiro.

Embora o desligamento tenha sido oficialmente “a pedido”, fontes próximas à pasta afirmam que a exoneração estaria relacionada à investigação que envolve a Confederação Nacional dos Agricultores Familiares (Conafer). Segundo o portal Metrópoles, o ex-secretário teria recebido uma transferência de R$ 50 mil de um assessor da entidade, suspeita de reter valores indevidos de aposentados em um esquema conhecido como “Farra do INSS”.


Pedro Alves Corrêa Neto exercia a função de secretário na área de Inovação, Desenvolvimento Sustentável, Irrigação e Cooperativismo – Foto: Pedro França/Agência Senado

Repercussões internas e novo comando

A vaga será ocupada por Marcelo Narvaes Fiadeiro, servidor de carreira com passagens por diferentes ministérios, incluindo o de Planejamento e o de Agricultura durante o governo Dilma Rousseff. Fiadeiro, até então assessor da Secretaria-Executiva, assume em um momento de forte pressão política e institucional.

O Ministério da Agricultura limitou-se a informar que a mudança “faz parte de uma reestruturação interna”. Pedro Neto, por sua vez, não respondeu aos questionamentos da imprensa.

Pressão sobre o Plano Clima e o setor agropecuário

A substituição ocorre em um momento sensível, com o governo correndo contra o tempo para concluir o Plano Clima, conjunto de medidas que define metas setoriais de redução de emissões de gases de efeito estufa. Dos sete planos setoriais, cinco já foram aprovados, mas os capítulos de agricultura e pecuária e conservação da natureza ainda aguardam consenso.

Entidades do agronegócio, como a CNA e a Sociedade Rural Brasileira, criticam o texto, especialmente por atribuir aos produtores rurais responsabilidades sobre emissões relacionadas ao desmatamento ilegal. As pressões aumentaram após o ministro Carlos Fávaro tomar conhecimento do conteúdo elaborado sob a gestão de Pedro Neto — e, segundo fontes, demonstrar insatisfação.

Expectativas para a COP30

O governo federal pretende publicar o Plano Clima antes ou durante a conferência em Belém (PA), que reunirá líderes mundiais para debater metas climáticas. No entanto, o embate entre o setor agropecuário e o governo pode atrasar o cronograma e gerar novos desgastes políticos em plena vitrine internacional.

A exoneração de um dos principais articuladores da pauta ambiental no Ministério da Agricultura adiciona incertezas a uma negociação que já vinha enfrentando resistência dentro e fora do governo.

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