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sábado , 25 abril 2026
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Desafios indígenas e ambientais travam obras de infraestrutura no Centro-Oeste

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Terras indígenas e áreas de preservação ambiental representam obstáculos significativos para a integração logística no Centro-Oeste brasileiro. Produtores agrícolas pressionam por melhorias em vias de escoamento da produção, enquanto ambientalistas e defensores dos povos originários lutam para prevenir o desmatamento e a pressão sobre comunidades tradicionais na região.

Em Mato Grosso, o Parque Indígena do Xingu separa áreas produtoras e condiciona as rotas disponíveis. A MT-322, única ligação leste-oeste nessa parte do estado, permanece sem pavimentação em trechos que cruzam o território indígena, tornando-se intransitável durante a estação chuvosa e interrompendo conexões entre as BRs 163 e 158, que ligam o Centro-Oeste ao Pará e aos portos do Arco Norte.

Uma alternativa ao sul do parque é a BR-242, cujo projeto de pavimentação entre o distrito de Santiago do Norte, em Paranatinga, e o município de Gaúcha do Norte, está parado há uma década aguardando licenciamento ambiental. O traçado original foi modificado para evitar o sítio arqueológico xinguano de Kamukuwaká, após pressão dos povos indígenas. Mariel Nakane, assessora do Instituto Socioambiental (ISA), destaca isso como um caso excepcional de cumprimento do direito à consulta, graças à organização dos povos do Xingu.

De Gaúcha do Norte, a estrada seguiria até Canarana, proporcionando ligação direta entre a BR-163, em Sorriso, e a BR-158, no vale do Araguaia. Luiz Pedro Bier, vice-presidente da Aprosoja-MT, que representa os agricultores do estado, defende que a BR-242 é fundamental para integrar Mato Grosso.

A leste, áreas de proteção ao longo do rio Araguaia limitam saídas para o Tocantins e conexões com o norte de Goiás. O projeto de uma estrada cortando a ilha do Bananal, em Tocantins, até São Félix do Araguaia, em Mato Grosso, que possibilitaria ligações à região de Luís Eduardo Magalhães, na Bahia, e aos portos de Salvador e Ilhéus, permanece parado.

Na divisa entre Mato Grosso e Goiás, uma nova ponte, com 80% das obras concluídas segundo o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), facilitará a ligação direta entre o norte mato-grossense e o norte goiano, reduzindo a dependência de balsas e desvios por vias não pavimentadas. A ponte mais próxima fica a cerca de 140 km ao sul, em Cocalinho.

No Pantanal, que abrange Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, a duplicação da BR-262 nos 220 km entre Corumbá e Miranda enfrenta restrições ambientais, mantendo a capacidade do corredor reduzida.

O projeto da Ferrogrão, ferrovia planejada para ligar o norte de Mato Grosso a Miritituba, no Pará, enfrenta entraves por cruzar terras indígenas, unidades de conservação e nascentes do rio Tapajós. Organizações alertam para riscos de desmatamento e ocupação desordenada. O licenciamento está suspenso à espera de julgamento no Supremo Tribunal Federal sobre a destinação de parte da faixa de domínio da BR-163 à ferrovia.

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