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sexta-feira , 6 março 2026
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Crise no seguro rural expõe falhas governamentais e ameaça produtores

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As seguradoras que operam no segmento de seguro rural continuam a oferecer apólices, mas observam uma queda significativa no ritmo de contratações. De janeiro a julho deste ano, a arrecadação de prêmios na modalidade agrícola, incluindo aquelas com e sem subvenção, registrou uma redução de 17%, totalizando R$ 2,3 bilhões.

Glaucio Toyama, presidente da Comissão de Seguro Rural da Federação Nacional de Seguros Gerais (Fenseg), explica que produtores mais capitalizados ainda conseguem contratar coberturas sem subsídios. No entanto, o aperto nas margens de lucro no campo, agravado por crédito e juros mais elevados, limita essa possibilidade para muitos.

Toyama destaca que os produtores mais vulneráveis acabam optando por não adquirir o seguro, o que gera um impacto negativo na sustentabilidade das atividades rurais. “O [produtor] mais vulnerável acaba não comprando [seguro], e isso causa um efeito danoso para a sustentação das pessoas no campo”, afirma ele.

A Fenseg estima que o mercado geral de seguros rurais, considerando apólices com e sem subvenção, deve cobrir uma área total de 5 milhões de hectares no país em 2025. Essa projeção reflete as dificuldades atuais, mas também aponta para uma perspectiva de estagnação se as condições não melhorarem.

As seguradoras expressam preocupação com a demora do governo em pagar os valores referentes à subvenção das apólices já contratadas. Até o momento, há uma dívida acumulada de R$ 434 milhões desde janeiro. Toyama ressalta: “Estamos muito preocupados com a repetição dessa situação, que já ocorreu em 2024. Mais de 90% de tudo que foi aplicado em 2025 ainda não foi pago”.

Pedro Loyola, coordenador do Observatório do Seguro Rural do Centro de Estudos do Agronegócio da Fundação Getulio Vargas (FGV Agro), confirma que a comercialização de seguros rurais caiu, em média, 40% em várias seguradoras. Essa instabilidade tem desestimulado resseguradoras e investidores internacionais.

Além disso, o cenário força a saída de empresas, corretores e peritos do mercado, comprometendo a estrutura do setor. A combinação de queda nas contratações e atrasos nos pagamentos governamentais revela vulnerabilidades no apoio público ao agronegócio, com potenciais repercussões para a economia rural.

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