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Alívio no horizonte: preços do chocolate podem cair em 2026

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Após anos de fortes altas nas cotações do cacau, empresas como Mondelez International e Hersheys projetam um cenário mais favorável para 2026, com custos em declínio e menor pressão sobre os preços ao consumidor. Os consumidores que lidaram com valores elevados de chocolate neste Halloween podem encontrar algum alívio no próximo ano, conforme indicam executivos das companhias. Essa tendência surge em meio a uma correção no mercado global de cacau, impulsionada por melhorias na produção.

O diretor financeiro da Mondelez, Luca Zaramella, afirmou em teleconferência de resultados que a tendência é positiva, embora os preços do cacau ainda permaneçam acima da média histórica. Ele destacou que a companhia espera uma estabilização gradual, o que pode reduzir a necessidade de reajustes nos produtos finais. Da mesma forma, a Hersheys revisou sua projeção de crescimento de receita líquida para 2025, elevando de 2% para 3%, com expectativas de melhora nas margens operacionais.

Steven Voskuil, diretor financeiro da Hersheys, reforçou em teleconferência que, apesar dos custos ainda elevados, uma reversão dessa tendência é aguardada a partir de 2026. O chocolate tem sido um dos produtos alimentícios mais impactados pela inflação recente, com aumentos significativos nos últimos anos. No entanto, o mercado futuro de cacau em Nova York registrou uma queda acentuada de cerca de 48% desde o início de 2025, passando de picos acima de US$ 12.000 por tonelada em dezembro de 2024 para US$ 6.058 por tonelada.

Analistas atribuem essa correção à recuperação da produção global, com condições climáticas mais favoráveis em regiões chave como a África Ocidental e o Equador. De acordo com a Organização Internacional do Cacau (ICCO), o mercado deve transitar de um déficit de quase 500 mil toneladas em 2024 para um superávit de cerca de 150 mil toneladas em 2025. Esse equilíbrio pode contribuir para uma maior estabilidade nos suprimentos.

O fenômeno La Niña também é apontado como fator positivo, ao favorecer colheitas mais abundantes, embora traga riscos de doenças nas plantações. Se as condições climáticas permanecerem favoráveis, os futuros do cacau devem continuar em queda ao longo de 2026, conforme análise da economista Megan Fisher, da Capital Economics. Em relatório recente, ela explicou que as fabricantes de chocolate costumam comprar cacau com até 12 meses de antecedência, o que pode fazer com que a redução nos custos se reflita nos preços ao consumidor já no Halloween de 2026.

Essa perspectiva de alívio chega em um momento em que a inflação em produtos alimentícios tem sido um tema recorrente em discussões econômicas, afetando o orçamento das famílias. As projeções indicam que o mercado de cacau está se ajustando após anos de volatilidade, oferecendo uma visão mais otimista para o setor.

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