Elas acordam cedo, enfrentam a rotina das granjas e equilibram família, trabalho e gestão, transformando desafios em oportunidades. De norte a sul do Brasil, histórias como as de Nayara, Diva, Helena, Rita e Vera destacam a presença feminina no campo, que vai além do apoio e se manifesta em liderança, inovação e sensibilidade na produção. Seja em aviários, na gestão de ovos ou na integração de práticas sustentáveis, essas mulheres demonstram que o agronegócio brasileiro possui uma essência feminina, com um futuro promissor impulsionado por suas contribuições.
Nayara Prates, criada na roça, sempre carregou o agro no sangue. Após se formar, retornou ao interior para auxiliar o pai na produção de café, mas buscou novas oportunidades na avicultura integrada, unindo tradição e tecnologia. Ela estudou manejo, nutrição e sustentabilidade para montar seu próprio aviário, que completa sete anos de operação. Nayara expressa sua gratidão ao ver os pintinhos crescerem e os lotes se desenvolverem, considerando cada ciclo um novo aprendizado. Além disso, implementou uma integração sustentável, utilizando palha de café como cama para as aves e transformando o material usado em adubo orgânico para os cafezais, promovendo uma conexão cíclica e cuidadosa com o ambiente.
Divanir Benatti Martins, conhecida como Diva, construiu sua trajetória na avicultura por meio de união familiar e superação. Quando seu irmão investiu no setor, ela se juntou para construir galpões e aprender sobre manejo. Hoje, gerenciam dois aviários climatizados que sustentam três famílias, exemplificando organização e cooperação. Diva enfatiza que a granja trouxe estabilidade e qualidade de vida, atribuindo o sucesso à presença diária e à atenção aos detalhes, já que o cuidado com frangos, como seres vivos, exige dedicação constante.
Em Bastos, no estado de São Paulo, Helena Tsuboy administra a Granja Tsuboy, fundada na década de 1950 por seus pais, descendentes de japoneses. A granja cresceu com esforço e união familiar, e Helena atua na administração da produção de ovos, enquanto seus irmãos gerenciam o manejo e a fábrica de ração. Inspirada pelo pai, que valorizava o gosto pelo trabalho e a disciplina, ela incorpora o conceito japonês de “gaman”, que significa persistência diante de desafios. Essa filosofia guia a rotina diária de dedicação, gerando orgulho na produção de ovos.
Rita Moreira de Souza representa a nova geração de mulheres no agro, conciliando a maternidade com a rotina da granja. Após a perda do pai, assumiu a atividade com a mãe, aprendendo sobre energia, controle de temperatura e equipamentos. Elas se ajudam mutuamente para nunca deixar o aviário sozinho, enfrentando a responsabilidade com adaptação. Rita relata que, apesar das dificuldades iniciais, a avicultura proporcionou segurança e estabilidade, permitindo equilibrar o cuidado com os filhos e o trabalho no campo.
Vera Lúcia Gobbi, após anos na cidade, mudou-se para o campo com o marido para realizar o sonho de montar uma granja. O início envolveu muito aprendizado, mas o amor pela atividade trouxe resultados. Com olhar técnico e liderança, Vera identifica anormalidades nos lotes pelo comportamento das aves e planeja expandir a propriedade. Cada ciclo representa uma conquista, oferecendo orgulho, estabilidade e felicidade na produção de alimentos.
Essas mulheres, de diferentes regiões, idades e origens, compartilham a habilidade de transformar desafios em oportunidades, representando a força do campo brasileiro. Sua atuação gera renda, sustentabilidade e inovação, posicionando a presença feminina como símbolo de gestão e liderança no agronegócio. O futuro do setor passa por essas mãos, que com coragem e planejamento inspiram novas gerações.