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quinta-feira , 24 setembro 2026
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COP30 deixa legado e desafios para o agronegócio brasileiro

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A COP30, realizada em Belém, na borda da Amazônia brasileira, encerrou-se no último domingo, deixando um legado significativo para o agronegócio e uma série de tarefas pendentes. O principal ganho é a inclusão firme da agricultura tropical na agenda climática global. Agora, o setor enfrenta o desafio de responder ao escrutínio internacional com dados concretos e de elaborar projetos capazes de atrair investimentos para práticas agrícolas de baixa emissão de carbono.

Por meio da Agrizone, uma vitrine de tecnologias desenvolvidas para a agricultura tropical e apresentada pela Embrapa, a agência estatal de pesquisa agrícola, o Brasil destacou suas ações para mitigar as mudanças climáticas e reduzir a pegada de gases de efeito estufa no setor. O foco agora é manter a agricultura tropical como parte das soluções climáticas na agenda internacional. Marcelo Morandi, assessor de relações internacionais da Embrapa, enfatizou a necessidade de apresentar dados, ciência e execução prática. “Precisamos mostrar os problemas que reconhecemos, mas também como estamos superando eles”, afirmou.

Ana Carolina Zimmermann, produtora de grãos e criadora de gado no estado de Goiás, celebrou o espaço conquistado pela agricultura na cúpula. “Se você não está na mesa, está no menu. Então, é melhor garantir que estejamos nas mesas certas, ajudando a escolher as decisões que queremos”, disse Zimmermann, que participou do evento. Essa visibilidade é vista como um passo crucial para o setor.

Eduardo Bastos, CEO do Instituto Equilíbrio, um think tank independente focado em agronegócio, elogiou a exposição obtida pela agricultura brasileira na conferência, mas destacou os obstáculos para captar recursos para projetos de baixo carbono. Ele comparou o setor florestal, que se organizou melhor e garantiu o TFFF, um novo fundo para conservação de florestas tropicais com US$ 6,7 bilhões em sua primeira fase, ao RAIZ, iniciativa lançada durante a cúpula para levantar capital privado e restaurar terras agrícolas degradadas.

O RAIZ, inspirado em programas brasileiros que mobilizaram quase US$ 6 bilhões para restaurar até 3 milhões de hectares, visa identificar paisagens prioritárias e criar soluções de financiamento misto para escalar a restauração e proteger florestas. Dez países anunciaram apoio, mas sem compromissos financeiros, diferentemente do TFFF. “Isso não significa que a agricultura seja menos importante, mas que não contamos uma história tão poderosa quanto o setor florestal”, observou Bastos, vendo uma oportunidade para construir uma narrativa mais forte até a próxima COP.

Para atrair investidores, que no espaço de sustentabilidade costumam investir mais de US$ 500 milhões, o setor precisa se organizar e desenvolver projetos ambiciosos, além de resolver questões básicas como a regularização fundiária. Guilherme Bastos, coordenador da FGV Agro, destacou a importância de avançar na implementação do Cadastro Ambiental Rural (CAR) e de disponibilizar mais dados oficiais sobre práticas sustentáveis adotadas no Brasil nos últimos anos, o que daria maior confiança aos investidores.

Morandi ressaltou a oportunidade de usar o holofote da COP30 e a presidência estendida do Brasil na COP até novembro do próximo ano para desbloquear capital e direcioná-lo a soluções climáticas impulsionadas pela agricultura. Esse período pode ser pivotal para o setor demonstrar seu potencial como aliado no combate às mudanças climáticas.

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