O feriado da Consciência Negra, celebrado na última quinta-feira, dia 20 de novembro, combinado com a proximidade do final do mês, restringiu significativamente a comercialização de produtos hortifrutigranjeiros em São Paulo. De acordo com pesquisadores do Cepea, esse cenário contribuiu para uma desaceleração ainda maior nas vendas de alfaces, que já vinham apresentando lentidão desde a primeira quinzena de novembro.
Na Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp), o período entre 17 e 21 de novembro registrou uma queda acentuada na movimentação dessas folhosas. Os analistas destacam que o feriado reduziu o fluxo de compradores e vendedores, impactando diretamente a dinâmica do mercado, que depende de negociações diárias para manter o equilíbrio entre oferta e demanda.
Além disso, a oferta elevada de alfaces no período pressionou os preços pagos pelos produtores e distribuidores. Ressalta-se que foram registradas sobras de mercadorias, o que agravou a situação de lentidão nos carregamentos. Esse desequilíbrio reflete não apenas fatores sazonais, mas também o efeito de interrupções como feriados nacionais, que alteram o calendário econômico.
Diante desse quadro, os pesquisadores do Cepea indicam que os agentes do setor devem continuar controlando a entrada de novas mercadorias no mercado. Essa estratégia visa evitar um acúmulo ainda maior de estoques, enquanto se aguarda uma possível recuperação nas vendas com a chegada do mês de dezembro, período tradicionalmente mais aquecido devido às festas de fim de ano.
A análise do Cepea, baseada em dados da Hortifrúti, reforça a necessidade de planejamento para mitigar impactos de feriados e ciclos mensais no agronegócio. Embora o foco seja no setor de folhosas, o episódio ilustra desafios mais amplos para a economia brasileira, onde políticas de reconhecimento cultural, como o feriado da Consciência Negra, interagem com variáveis comerciais, exigindo adaptações por parte dos produtores e comerciantes.