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sexta-feira , 25 setembro 2026
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Produtores de cebola no Sul do Brasil alertam para crise de rentabilidade em safra abundante

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A nova safra de cebolas no Sul do Brasil promete ser farta e de boa qualidade, mas os produtores de Santa Catarina e Rio Grande do Sul enfrentam preocupações com os baixos preços da hortaliça, que não cobrem os custos de produção e pressionam a rentabilidade da cultura neste ano.

No Rio Grande do Sul, a área total prevista para a safra 2025/26 é de 4.040 hectares, alinhada à média histórica do cultivo no estado, segundo Fábio Martins, coordenador da Câmara Setorial. A colheita, iniciada em outubro, deve se estender até janeiro, com expectativa de produção de 32 toneladas por hectare, resultando em uma oferta líquida de 118,9 mil toneladas.

Apesar da produtividade, a rentabilidade está ameaçada pelos preços baixos e custos de produção elevados, impulsionados pela inflação de insumos e mão de obra. Em São José do Norte, principal município produtor com 1.440 hectares, os preços variam entre R$ 0,80 e R$ 1,00 por quilo para a caixa 3, que representa a maior parte da produção. Esses valores não cobrem o custo de produção, estimado em cerca de R$ 1,40 por quilo, conforme Martins, que atribui a queda nas cotações ao aumento da produção em regiões como Nordeste, Minas Gerais e Goiás.

Uma pesquisa da Emater/RS revela que produtores em São José do Norte, Tavares e Rio Grande gastam aproximadamente R$ 38 mil por hectare com insumos e mão de obra, valor que dobrou em poucos anos. Pedro Farias, chefe do escritório municipal da Emater/RS em São José do Norte, explica que mesmo preços de R$ 1,20 ou R$ 1,30 por quilo não seriam suficientes para cobrir os custos, validando os dados com os agricultores locais.

Produtores como Odirlem Oliveira, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de São José do Norte, exemplificam a situação: em sua área de sete hectares, a expectativa é de 45 toneladas por hectare, mas a rentabilidade não deve equilibrar as despesas, gerando preocupações para a continuidade da atividade.

Em Santa Catarina, líder nacional na produção de cebola, a projeção para a safra 2025/2026 é de 597 mil toneladas, um aumento de 7,3% em relação ao ciclo anterior, impulsionado por condições climáticas favoráveis e manejo adequado, especialmente na região de Ituporanga, conforme Lillian Bastian, analista da Epagri. A área plantada cresceu 1,41%, contribuindo para o volume maior.

No entanto, os preços pagos aos produtores também giram em torno de R$ 0,80 a R$ 1,00 por quilo para a caixa 3, segundo Jorge Luiz Sardo, presidente da Associação dos Produtores de Cebola de Santa Catarina (Aprocesc). Agricultores como Arny Mohr, com 40 anos de experiência em Ituporanga, relatam que em sua lavoura de 20 hectares, o crescimento esperado de 10% a 15% na colheita não compensa os custos de R$ 40 a R$ 50 mil por hectare, com vendas iniciais a R$ 0,90 a R$ 1,00 por quilo, subindo para R$ 1,20 a R$ 1,30.

Mohr defende que um preço adequado seria de R$ 2 por quilo para cobrir custos e manter a rentabilidade, alertando que valores inferiores podem levar ao abandono da atividade, especialmente após anos consecutivos de frustrações econômicas.

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