O maior portal de notícias do agro brasileiro.
sexta-feira , 6 março 2026
Início Agricultura Empresa brasileira aposta em sementes customizadas para desafiar gigantes do agronegócio
Agricultura

Empresa brasileira aposta em sementes customizadas para desafiar gigantes do agronegócio

55

Em um mercado dominado por multinacionais como Bayer, Corteva e Syngenta, que controlam 90% das vendas de sementes de milho no Brasil, a Shull Seeds surge como uma alternativa nacional. Fundada em 2017 por Paulo Pinheiro, a empresa foca na customização de variedades adaptadas aos microclimas variados do país, explorando nichos onde pode oferecer soluções mais competitivas. Pinheiro, CEO e fundador, explica que o Brasil, com sua extensão latitudinal, apresenta variações climáticas maiores que as dos Estados Unidos, o que cria oportunidades para sementes específicas que atendam melhor às necessidades locais dos agricultores.

A estratégia da Shull envolve identificar microrregiões onde suas sementes possam superar as ofertas das gigantes. A empresa opera em todas as regiões brasileiras, mas prefere evitar mercados onde não tenha a melhor proposta. Segundo Pinheiro, o uso de sementes adaptadas pode multiplicar a produtividade por até dez vezes, embora o custo seja maior que o de opções comuns. Ele ressalva que o investimento vale a pena dependendo do perfil do produtor, que deve considerar práticas de manejo e adubação para maximizar o potencial das sementes de alto desempenho.

Com faturamento projetado em cerca de R$ 200 milhões para este ano e crescimento anual acima de 50%, a Shull ambiciona alcançar 10% do mercado até 2035. Pinheiro afirma que a empresa não está sendo construída para venda, mas para competir em escala maior. A companhia terceiriza o beneficiamento de sementes, mas mantém três centros de pesquisa, 56 locais de validação e 55 representantes de vendas. Seu banco de germoplasma é ampliado por convênios com instituições, e o processo de desenvolvimento usa inteligência artificial para caracterizar e cruzar linhagens, reduzindo o tempo de criação de novas variedades.

O boom do etanol de milho, com investimentos de R$ 40 bilhões até 2030 e expansão da safrinha para até 30 milhões de hectares, deve impulsionar a demanda por sementes adaptadas. Pinheiro destaca que esse crescimento pode ocorrer sem abertura de novas áreas, aproveitando plantios de soja sem milho subsequente, o que aumenta a necessidade de produtividade em microclimas específicos.

Pinheiro, ex-diretor da Tecnoseeds, fundou a Shull com José de Leon, veterano em genética agrícola. O desenvolvimento de sementes evoluiu do empirismo para métodos avançados, inspirados no trabalho de George Harrison Shull, que criou o milho híbrido no início do século XX. Hoje, a empresa explora inovações como sementes inoculadas com bactérias para fixação biológica de nitrogênio, similar à técnica usada na soja pela Embrapa, o que poderia reduzir custos com fertilizantes e benefícios ambientais.

Entre as inovações sigilosas, Pinheiro menciona possibilidades como plantas de menor porte ou melhor aproveitamento solar via manipulação de DNA. A Shull opera com cerca de 30 mil linhagens e também trabalha com sorgo, considerando expansão para soja. O processo de desenvolvimento pode levar até cinco anos, com testes que descartam 90% das linhagens para focar nas mais promissoras.

Relacionadas

Alfa Participações vende operações da Agropalma no Pará ao Grupo Daabon

Alfa Participações anuncia venda das operações da Agropalma no Pará ao Grupo...

Câmara aprova indenização a produtores rurais por falhas no fornecimento de energia

Câmara aprova proposta que garante indenização a produtores rurais por falhas no...

Superintendente do MAPA visita Mercado Digital de Agricultores em Itupeva e avalia expansão

Superintendente do MAPA visita Mercado do Agricultor Digital em Itupeva, SP, e...

Exportações do agronegócio de São Paulo para China crescem 167% e atingem US$ 3,7 bi em 2023

Exportações do agronegócio paulista para a China saltaram 167% em 2023, atingindo...