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sexta-feira , 23 outubro 2026
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Pragas silenciosas: como insetos podem abalar a economia da cana-de-açúcar no Brasil

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A cana-de-açúcar representa uma das principais bases da economia agrícola brasileira, contribuindo significativamente para a produção de açúcar, etanol e energia renovável. De acordo com estimativas da Companhia Nacional de Abastecimento, a safra 2025/2026 deve atingir 663,4 milhões de toneladas, destacando o papel estratégico desse cultivo no cenário nacional. No entanto, desafios fitossanitários persistem, com insetos-praga representando uma ameaça constante à produtividade e à rentabilidade dos canaviais.

Entre as pragas mais impactantes, o bicudo-da-cana se destaca por seu ataque ao sistema radicular e ao rizoma das plantas. Esse inseto compromete o vigor das lavouras, reduzindo a brotação da soqueira e limitando o número de cortes viáveis ao longo do ciclo produtivo. O controle dessa praga é particularmente desafiador devido ao ciclo longo da cana, à proteção oferecida pela palha e à disseminação facilitada por mudas e máquinas agrícolas.

Dados da Embrapa revelam que os prejuízos causados pelo bicudo podem chegar a 30 toneladas por hectare ao ano, o que equivale a quase 40% de uma produtividade média. Essa perda expressiva não apenas afeta os produtores, mas também tem implicações mais amplas para a cadeia econômica dependente da cana-de-açúcar, influenciando setores como o de biocombustíveis e exportações.

Da mesma forma, a cigarrinha emerge como outra praga significativa, afetando o desempenho dos canaviais em diversas fases. Suas ninfas danificam as raízes, enquanto os adultos sugam a seiva das folhas, o que reduz a fotossíntese e provoca queda no vigor das plantas. Além disso, essa ação diminui os níveis de sacarose e favorece o surgimento de fungos, agravando os problemas fitossanitários.

Leandro Valerim, gerente de inseticidas da UPL Brasil, alerta para a agressividade do Sphenophorus, nome científico do bicudo-da-cana. Segundo ele, “O Sphenophorus é uma das pragas mais agressivas da cana. Suas larvas atacam o sistema radicular e o rizoma, interrompendo o fluxo de seiva e reduzindo o vigor da planta. Além disso, esse inseto dificulta a brotação da soqueira, diminuindo o número de cortes viáveis do cultivo”. Essas observações reforçam a necessidade de estratégias integradas para mitigar os impactos.

Diante desses desafios, o setor agrícola brasileiro enfrenta a urgência de aprimorar medidas de controle e monitoramento para preservar a competitividade da cana-de-açúcar. Embora a produção projetada para a próxima safra seja robusta, as pragas continuam a expor vulnerabilidades que podem comprometer metas econômicas de longo prazo.

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