O ano de 2025 marcou uma consolidação inédita do Brasil como principal fornecedor de proteína animal no mundo, superando adversidades sanitárias e econômicas que abalaram concorrentes globais. Enquanto países como os Estados Unidos e membros da União Europeia lidavam com retrações na oferta devido à persistência da Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (IAAP), o Brasil demonstrou resiliência estrutural, impulsionando suas exportações e garantindo sua posição no tabuleiro da segurança alimentar internacional. Dados da ABPA e do USDA indicam um crescimento tanto em volume quanto em valor agregado na produção brasileira, destacando o papel da diplomacia sanitária em manter e expandir mercados.
No setor de avicultura, o agronegócio brasileiro registrou um PIB com alta de 6,49% no primeiro trimestre, influenciado por um regime cambial volátil. O dólar elevado encareceu insumos como tecnologia e microingredientes, mas elevou a competitividade do frango brasileiro em regiões como Oriente Médio e Ásia. Produtores independentes enfrentaram um aumento de 37,2% nos custos de ração no início do ano, conforme dados do Cepea e da CNA, enquanto os integrados se beneficiaram de contratos de longo prazo. A estabilização dos preços de grãos no segundo semestre permitiu a recuperação das margens, resultando em um fechamento positivo para o setor.
O segmento de frango de corte destacou-se pela produção de 15,32 milhões de toneladas, um aumento de 2,2%, com disponibilidade interna de quase 10 milhões de toneladas. A adoção do protocolo de regionalização foi crucial, limitando o impacto de um caso isolado de IAAP no Rio Grande do Sul. Países como o Japão mantiveram o comércio ao aceitar essa abordagem, validando a defesa sanitária brasileira. Além disso, o Brasil diversificou mercados, reduzindo a dependência da China e atendendo demandas crescentes do México, Filipinas, Peru e Reino Unido.
A avicultura de postura experimentou um crescimento explosivo, com exportações de ovos aumentando 116,6%, totalizando 40 mil toneladas, impulsionadas pela crise nos EUA que reduziu plantéis de poedeiras. Internamente, o consumo per capita atingiu 306 ovos por habitante, apoiado por iniciativas do Instituto Ovos Brasil e inovações em ovoprodutos. Essa internacionalização posicionou o Brasil como fornecedor essencial para indústrias globais, especialmente na forma de ovos processados.
Regionais, o Paraná liderou com mais de 40% das exportações, impulsionado pela “revolução do biogás” que transformou dejetos em energia, atraindo investimentos como os R$ 300 milhões da Seara. O Rio Grande do Sul superou desafios sanitários com sistemas de compartimentação, enquanto Minas Gerais se consolidou em genética e tecnologia, e Santa Catarina manteve status sanitário diferenciado para cortes nobres.
Desafios logísticos surgiram com a Portaria SDA nº 1.280, que redefiniu o transporte de animais vivos, exigindo melhorias em caixas e controle ambiental, o que inicialmente aumentou custos. Ajustes na Portaria 1.295 evitaram colapsos, preparando o setor para exigências europeias de bem-estar animal.
Inovações tecnológicas, como vacinas vetoriais da Ceva, automação com IA e transporte climatizado, marcaram o ano, alinhando-se a práticas ESG e combatendo escassez de mão de obra.
Para 2026, a ABPA projeta produção de 15,6 milhões de toneladas de frango e 45 mil toneladas de ovos exportados, com otimismo cauteloso diante da recuperação dos EUA e adaptações regulatórias, reforçando o Brasil como superpotência indispensável na proteína mundial.