Levantamento do The AgriBiz revela que grandes produtores de grãos protagonizaram as maiores aquisições de áreas agrícolas do ano, com destaque para operações no Centro-Oeste e no Matopiba.
Consolidação no mercado de terras agrícolas
O mercado brasileiro de terras viveu um ano de intensa movimentação em 2025. Um levantamento realizado pelo The AgriBiz compilou cerca de R$ 9,6 bilhões em aquisições de áreas rurais ao longo do ano, envolvendo 19 grandes transações. Entre os protagonistas estão as famílias Cervi, Rocheto, Logemann e Maggi Scheffer, todas com forte atuação na produção de grãos e presença relevante no agronegócio nacional.
Produtores capitalizados avançam durante a crise
As negociações ocorreram, em grande parte, a partir da compra de áreas pertencentes a produtores endividados ou a investidores estrangeiros que precisaram repatriar capital. Segundo apuração do The AgriBiz, essas operações refletem a estratégia de produtores que fortaleceram seus balanços durante o ciclo de alta da soja e agora aproveitam oportunidades em um cenário mais desafiador.
SLC e Bom Futuro puxam os maiores volumes financeiros
A SLC Agrícola liderou o volume financeiro de transações em 2025, com R$ 2,3 bilhões em negócios envolvendo compra, arrendamento e venda parcial de áreas agrícolas, somando mais de 100 mil hectares de área plantada. Já a maior operação individual em valor foi realizada pelo Grupo Bom Futuro, da família Maggi Scheffer, que desembolsou cerca de R$ 1,8 bilhão na aquisição de duas fazendas que totalizam mais de 40 mil hectares no Mato Grosso.
Cervi e Rocheto se destacam em área adquirida
Em extensão territorial, o maior negócio do ano foi protagonizado por Oscar Cervi, que adquiriu cerca de 100 mil hectares em Santana do Araguaia, no Pará, em uma transação estimada em mais de R$ 1,4 bilhão. Os irmãos Celso e José Paulo Rocheto também se destacaram, somando aproximadamente 30 mil hectares adquiridos em Mato Grosso e Minas Gerais, áreas consideradas estratégicas para grãos e produção de sementes.
Florestas, pecuária e diversificação de investimentos
Além da agricultura, o levantamento mostra movimentações relevantes nos segmentos florestal e pecuário. A Klabin monetizou cerca de R$ 900 milhões em operações de sale and leaseback, enquanto fundos e gestores também avançaram sobre áreas de pecuária com potencial de conversão para agricultura irrigada, sinalizando a continuidade da transformação do uso da terra no Brasil.