Um relatório da Confederação Nacional de Municípios (CNM) revela que o Brasil sofreu perdas de R$ 180 bilhões em danos causados por eventos climáticos extremos entre 1995 e 2023, com o agronegócio respondendo por 50% dos prejuízos. O estudo, baseado em dados de desastres declarados por 5.418 municípios, destaca o aumento da frequência e intensidade desses eventos devido às mudanças climáticas globais. Publicado em 2024, o documento alerta para impactos crescentes, especialmente nos últimos cinco anos do período analisado.
Impactos econômicos no agronegócio
O agronegócio concentrou metade das perdas totais, equivalentes a R$ 90 bilhões, principalmente por secas que representaram 60% dos danos no setor. Produtores rurais enfrentaram inundações, enchentes, vendavais e granizo, afetando a produtividade e a economia nacional. Esses eventos climáticos extremos ameaçam a segurança alimentar e exigem medidas urgentes de adaptação.
Os produtores rurais estão na linha de frente das mudanças climáticas. É essencial investir em tecnologias de adaptação, como irrigação eficiente e variedades de culturas mais resistentes.
De acordo com Paulo Ziulkoski, presidente da CNM, tais investimentos são cruciais para mitigar riscos futuros.
Regiões mais afetadas no Brasil
As regiões Sul, com destaque para Rio Grande do Sul e Santa Catarina, registraram os maiores impactos, seguidas pelo Sudeste, incluindo São Paulo e Minas Gerais. No Centro-Oeste, Mato Grosso foi severamente atingido, enquanto Nordeste e Norte também reportaram prejuízos significativos. Esses padrões geográficos refletem a vulnerabilidade de áreas agrícolas chave diante das mudanças climáticas.
O estudo analisou dados de municípios em todo o país, revelando que eventos como secas e inundações se intensificaram nos últimos anos. Essa distribuição desigual reforça a necessidade de políticas regionais adaptadas.
Causas e tendências históricas
Entre 1995 e 2023, o pico de danos ocorreu nos últimos cinco anos, atribuído ao aquecimento global e às mudanças climáticas. A CNM compilou informações de desastres declarados, destacando como esses fenômenos se tornaram mais frequentes e intensos. Comparado a períodos anteriores, o aumento sugere uma tendência preocupante para o futuro.
Sem adaptação, as perdas podem dobrar nos próximos anos, ameaçando a segurança alimentar e a economia nacional.
Ziulkoski enfatiza que, sem ações imediatas, os prejuízos podem escalar, impactando não apenas o agronegócio, mas toda a cadeia produtiva brasileira.
Perspectivas para 2026 e além
Em 2026, com o relatório da CNM servindo como base histórica, especialistas preveem que eventos climáticos extremos continuem a desafiar o Brasil. Investimentos em resiliência, como tecnologias sustentáveis, tornam-se imperativos para proteger municípios e produtores. A análise reforça a urgência de políticas públicas que integrem adaptação às mudanças climáticas.
Embora o período coberto termine em 2023, lições do estudo podem guiar estratégias atuais, evitando que perdas de R$ 180 bilhões se repitam ou piorem. Municípios afetados, totalizando 5.418, demandam suporte federal para recuperação e prevenção.