O comércio bilateral entre Brasil e Irã registrou um crescimento de 25% em 2025, alcançando o recorde de US$ 2,5 bilhões, impulsionado principalmente pelo setor agropecuário. Especialistas preveem que o volume supere US$ 3 bilhões em 2026, mas alertam para possíveis tarifas impostas pelos Estados Unidos devido aos laços comerciais com o Irã. A assinatura de um memorando em Teerã, no final de 2025, visa expandir ainda mais essas relações econômicas.
Crescimento impulsionado pelo agronegócio
As exportações brasileiras de soja, milho e carne bovina foram os principais motores desse aumento. O Irã, enfrentando sanções dos EUA desde 2018, busca diversificar seus fornecedores para garantir a segurança alimentar. O Brasil, como grande exportador de commodities, se posiciona como parceiro estratégico nesse contexto.
O Irã representa um mercado em expansão para o agronegócio brasileiro, especialmente em grãos e proteínas animais. — Paulo Sousa, analista de comércio internacional da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA)
Reunião em Teerã e acordos firmados
A reunião realizada em Teerã no final de 2025 resultou na assinatura de um memorando que facilita a expansão do comércio. Representantes do governo brasileiro, da CNA e da Abiec participaram das discussões. Essa iniciativa reflete a estratégia do Irã de fortalecer laços com nações fora do eixo ocidental.
Pressões geopolíticas dos Estados Unidos
Os Estados Unidos, sob a política ‘América Primeiro’, sinalizaram a possibilidade de impor tarifas a países que mantenham laços comerciais com o Irã. Essa medida pode afetar diretamente as exportações brasileiras. Analistas destacam que, embora o comércio seja legal sob as regras da OMC, as tensões geopolíticas representam um risco.
O comércio com o Irã é legal sob as regras da OMC, mas as pressões geopolíticas podem complicar as coisas. — Maria Fernanda, professora de relações internacionais da USP
Desafios e oportunidades para o Brasil
O setor agropecuário brasileiro, representado por entidades como a CNA e a Abiec, vê no Irã uma oportunidade de mercado em expansão. No entanto, é necessário equilibrar os ganhos econômicos com a estabilidade geopolítica. Previsões indicam que o comércio bilateral pode superar US$ 3 bilhões em 2026, caso as barreiras sejam minimizadas.
Precisamos equilibrar oportunidades econômicas com estabilidade geopolítica. — Antônio Camardelli, presidente da Abiec
Perspectivas para 2026
Com o ano de 2026 em andamento, o foco permanece na diversificação de mercados para o agronegócio brasileiro. O crescimento de 25% em 2025 demonstra a resiliência das relações comerciais apesar das sanções internacionais. Observadores monitoram de perto as ações dos EUA, que podem influenciar o futuro desse intercâmbio.