Pesquisadores brasileiros desenvolveram um tratamento inovador com luz LED que reduz em até 40% as perdas pós-colheita em goiabas e combate a antracnose, uma doença fúngica comum. A tecnologia, testada em laboratórios e em escala piloto no interior de São Paulo, surge como alternativa sustentável aos fungicidas químicos. Desenvolvida em 2024, a aplicação piloto continua em andamento, prometendo impactos positivos na agricultura tropical do país.
Detalhes da pesquisa
A pesquisa envolveu cientistas da Embrapa Instrumentação, da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). Liderados por Marcos David Ferreira, da Embrapa, e pela Dra. Tatiana Cantuarias, da USP, os testes ocorreram em laboratórios e com produtores de goiaba no interior de São Paulo. O foco foi combater a antracnose causada pelo fungo Colletotrichum gloeosporioides, responsável por perdas que chegam a 50% após a colheita.
O método consiste na exposição das goiabas a pulsos de luz LED nos comprimentos de onda azul (450-495 nm) e vermelha (620-750 nm). Essa exposição dura 30 minutos diários durante o armazenamento, ativando defesas naturais das frutas, como compostos fenólicos e enzimas antioxidantes. Essa abordagem estimula a resistência natural das goiabas, reduzindo a necessidade de produtos químicos.
Benefícios e aplicações
A tecnologia oferece uma solução limpa e de baixo custo para produtores, podendo ser integrada a câmaras de armazenamento ou embalagens inteligentes. Além de reduzir as perdas pós-colheita, o tratamento promove a sustentabilidade na agricultura, alinhando-se a demandas globais por práticas mais ecológicas. Testes em escala piloto com produtores paulistas demonstram resultados promissores, com diminuição efetiva da antracnose.
A luz LED é uma tecnologia limpa, de baixo custo e fácil aplicação, que pode ser integrada a câmaras de armazenamento ou embalagens inteligentes.
— Marcos David Ferreira
Impactos futuros
A inovação não se limita às goiabas e pode ser estendida a outras frutas tropicais suscetíveis a fungos, como manga e abacaxi. Isso contribui para a redução do desperdício alimentar no Brasil, onde perdas pós-colheita afetam significativamente a cadeia produtiva. Com a pesquisa iniciada em 2024 e o piloto em andamento, espera-se uma adoção mais ampla nos próximos anos.
Esse tratamento pode ser estendido a outras frutas tropicais suscetíveis a fungos, como manga e abacaxi, contribuindo para a redução do desperdício alimentar no país.
— Dra. Tatiana Cantuarias
Contexto e relevância
Em um cenário de crescente preocupação com a segurança alimentar e o meio ambiente, esse avanço representa um passo importante para a agricultura brasileira. A redução de perdas em até 40% pode impulsionar a economia de regiões produtoras, como o interior de São Paulo, e fortalecer a competitividade no mercado internacional. A pesquisa, publicada originalmente em outubro de 2024, continua relevante em 2026, com potenciais expansões para outras culturas.