Com incentivo à venda do estoque remanescente e perspectiva de safra recorde, cotações da soja seguem pressionadas no mercado interno, segundo dados do Cepea e da Conab
O mercado spot brasileiro de soja voltou a registrar aumento de liquidez nos últimos dias, impulsionado por uma maior movimentação de negócios envolvendo o remanescente da safra passada. De acordo com levantamento do Cepea, cooperativas e cerealistas têm incentivado os produtores a comercializarem os volumes ainda disponíveis, com o objetivo de liberar espaço nos armazéns para a entrada da nova safra no País.
Pressão sobre os preços internos
Esse movimento ocorre em um cenário de expectativa de oferta elevada, o que tem mantido as cotações domésticas da soja sob pressão. Segundo o Cepea, a combinação entre estoques elevados e avanço da comercialização contribui para limitar reações positivas nos preços praticados no mercado interno, inclusive em importantes regiões produtoras do Brasil, como o Oeste da Bahia.
Estoques iniciais sobem quase 50% em um ano
Em relatório divulgado no último dia 15, a Conab revisou para cima o estoque inicial da safra 2025/26, estimado agora em 10,73 milhões de toneladas. O volume representa um crescimento de 2,9% em relação à projeção de dezembro de 2025 e expressivos 48,4% na comparação com o mesmo período do ano anterior.
Produção nacional caminha para novo recorde
A produção brasileira de soja segue projetada em patamar histórico. Conforme a Conab, a safra 2025/26 deve alcançar 176,12 milhões de toneladas, reforçando a posição do Brasil como principal produtor e exportador global da oleaginosa. No entanto, o elevado volume disponível no mercado tende a manter o ambiente de preços pressionado no curto prazo, exigindo atenção redobrada dos produtores quanto ao planejamento de vendas.
Cenário exige estratégia do produtor
Diante desse contexto, analistas apontam que o produtor rural precisará avaliar cuidadosamente o ritmo de comercialização, considerando custos, capacidade de armazenagem e oportunidades futuras, especialmente em regiões estratégicas do agronegócio brasileiro, como a Bahia.