Influência da Lua: Produtor atribui resultado a técnicas tradicionais aprendidas com os avós; Embrapa reforça que não há comprovação científica sobre efeito lunar no plantio
O cultivo de hortaliças no Brasil segue rendendo histórias curiosas que chamam a atenção do setor agropecuário. Em Viana, no Espírito Santo, o produtor rural Edivaldo Rodrigues, de 52 anos, colheu recentemente três batatas-doces gigantes, sendo que a maior delas atingiu 7,15 quilos e cerca de 80 centímetros de diâmetro — um tamanho muito acima do padrão comercial da cultura.
Segundo dados da Embrapa, o peso médio de uma batata-doce destinada ao mercado varia entre 200 e 400 gramas. As outras duas raízes colhidas pelo agricultor também surpreenderam, com 5,25 quilos e 5,75 quilos, respectivamente.
Tradição no campo e manejo cuidadoso
Criado no meio rural, Edivaldo afirma que, apesar da experiência acumulada ao longo dos anos, nunca havia encontrado batatas-doces com dimensões semelhantes. Para ele, o resultado é fruto da combinação entre preparo adequado do solo, manejo da lavoura e o respeito a práticas tradicionais transmitidas por gerações.
De acordo com o produtor, o plantio foi realizado há cerca de cinco meses, seguindo a fase da lua minguante, considerada por ele ideal para culturas que se desenvolvem abaixo do solo. “É um ensinamento que aprendi com meus pais e avós. Sempre deu certo aqui no sítio”, relata.
Agricultura biodinâmica e fases da lua
A prática de associar o calendário agrícola às fases da lua é comum na agricultura biodinâmica, sistema que considera os ciclos naturais como fatores relevantes para o desenvolvimento das plantas. Nesse modelo, raízes e tubérculos, como a batata-doce, são plantados na lua minguante; hortaliças folhosas, na crescente; podas, na lua nova; e culturas como a abóbora, na lua cheia.
Esse tipo de manejo é bastante difundido entre agricultores familiares em diferentes regiões do Brasil, inclusive no Nordeste e na Bahia, onde o conhecimento tradicional ainda exerce forte influência sobre as decisões no campo.
O que diz a ciência sobre a influência lunar
Apesar dos relatos empíricos, a Embrapa destaca que não há comprovação científica de que as fases da lua influenciem diretamente o crescimento das culturas a partir da data de plantio. Segundo a instituição, não é possível isolar o fator lunar de outras variáveis determinantes, como solo, clima, disponibilidade hídrica e manejo.
Além disso, a escolha do período ideal de plantio depende das condições regionais e da genética da cultivar utilizada. “Cada clone tem comportamento específico, e é fundamental que o produtor conheça bem o material que está plantando”, ressalta a Embrapa.
Tradição, ciência e resultados no agro
O caso chama a atenção para a convivência entre conhecimento tradicional e ciência no agronegócio brasileiro. Enquanto a pesquisa científica orienta decisões técnicas em larga escala, práticas herdadas de gerações seguem presentes no cotidiano de muitos produtores, especialmente na agricultura familiar, onde os resultados, muitas vezes, falam por si.