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sexta-feira , 6 março 2026
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Para reduzir custos, produtores devolvem áreas arrendadas no Brasil

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Queda nos preços do arrendamento em 2025 ainda não aliviou margens apertadas do agronegócio, que enfrenta custos crescentes e baixa reação das cotações

Mesmo com bons níveis de produtividade em culturas como soja, milho e algodão, o produtor rural brasileiro segue pressionado por margens cada vez mais estreitas. O custo do arrendamento de terras, apesar de ter recuado no segundo semestre de 2025, continua sendo um dos principais fatores que levam agricultores a devolver áreas arrendadas e, em casos extremos, abandonar a atividade produtiva.

Arrendamento ainda pesa no caixa do produtor

No médio-norte de Mato Grosso, o grupo GMS cultiva cerca de 32 mil hectares em municípios como Sorriso e Nova Mutum. Aproximadamente 40% dessa área é arrendada. Segundo Moacir Clovis Smaniotto Júnior, diretor-executivo da companhia, mesmo propriedades com bom rendimento no campo deixam de ser economicamente viáveis quando o custo do arrendamento entra na conta.

De acordo com o executivo, após pagar o aluguel da terra, sobram cerca de 15 sacas de soja por hectare — isso em um cenário positivo. A combinação entre oferta elevada de grãos, crescimento lento da demanda e custos de produção em alta mantém o setor sob forte pressão financeira.

Custos sobem e preços não reagem

A expectativa de melhora nas cotações dos grãos é vista com cautela. Para Smaniotto Júnior, apenas uma quebra relevante de safra em grandes produtores globais poderia alterar esse cenário. Enquanto isso, os custos já aumentam no planejamento da safra 2026/27, com destaque para fertilizantes, mão de obra, mecanização e manutenção, despesas que muitas vezes passam despercebidas nas contas por hectare.

Moacir Clovis Smaniotto Júnior, diretor-executivo da GMS, diz que as margens dos arrendatários seguem apertadas mesmo em propriedades que atingem bons rendimentos no campo — Foto: Arquivo pessoal

Queda nos arrendamentos não chega à ponta

Levantamento da S&P Global Commodity Insights aponta que, no Centro-Oeste, os preços dos arrendamentos caíram 2,1% no segundo semestre de 2025 em relação ao mesmo período do ano anterior. Nas áreas de grãos, a média nacional recuou 2,3%, para cerca de R$ 1.796 por hectare. Ainda assim, essa redução não foi suficiente para aliviar os custos dos arrendatários.

Clima agrava situação no Sul

No Sul do Brasil, os impactos climáticos dos últimos anos tornaram o cenário ainda mais crítico. Em Lavras do Sul (RS), o produtor Carlos Wagner Messerlian La Bella devolveu, em setembro de 2025, os 400 hectares que arrendava após quatro anos consecutivos de perdas por intempéries.

Segundo ele, o contrato previa o pagamento de 11 sacas de soja por hectare, enquanto a produtividade média recente ficou em apenas 26 sacas. Ao incluir o custo de produção, a atividade tornou-se inviável, levando ao encerramento antecipado de um contrato que deveria durar até 2027.


Carlos Wagner Messerlian La Bella, produtor rural de Lavras do Sul (RS) — Foto: Clarisse de Freitas

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