Demanda internacional firme e dólar valorizado dão suporte às cotações, mas queda nos prêmios de exportação limita repasses ao mercado brasileiro
Os preços da soja começaram fevereiro em um cenário de estabilidade no mercado brasileiro. Levantamento do Cepea aponta que o comportamento das cotações reflete um equilíbrio entre fatores de sustentação no mercado externo e limitações internas que impedem avanços mais consistentes nos valores praticados no país.
Mercado internacional sustenta, mas prêmios limitam altas
De um lado, a valorização externa da soja, aliada à alta do dólar frente ao real e à firme demanda internacional pela oleaginosa brasileira, tem oferecido suporte às cotações. Esses fatores ajudam a conter movimentos de baixa, especialmente em regiões produtoras estratégicas do Brasil.
Por outro lado, a expressiva retração dos prêmios de exportação tem limitado o repasse das altas internacionais ao mercado doméstico. Esse movimento reduz a competitividade dos preços internos e mantém as negociações em ritmo mais cauteloso neste início de mês.
Chicago reage a cenário geopolítico
Na CME Group, bolsa que abriga as negociações da soja em Chicago, o recente impulso nos preços esteve ligado ao encontro entre os presidentes dos Estados Unidos e da China, realizado no dia 4. Na ocasião, foi reafirmado o compromisso do país asiático de ampliar as compras de soja norte-americana nesta e na próxima temporadas.
O movimento trouxe reflexos positivos às cotações internacionais, ainda que parte desse ganho tenha sido absorvida pelos ajustes nos prêmios praticados no Brasil.
Exportações brasileiras começam 2026 em ritmo forte
No comércio exterior, o desempenho brasileiro segue robusto. Dados da Secex mostram que as exportações de soja somaram 1,87 milhão de toneladas em janeiro de 2026, um crescimento expressivo de 75,5% em relação ao mesmo mês de 2025.
Do volume total embarcado, 57,2% tiveram a China como destino, reforçando a importância do país asiático como principal comprador da soja brasileira e fator-chave de sustentação para o agronegócio nacional, incluindo regiões produtoras do Nordeste e do Matopiba.
Perspectivas para o mercado da soja
Especialistas avaliam que, no curto prazo, o comportamento dos preços seguirá condicionado ao avanço da colheita, à evolução dos prêmios de exportação e às oscilações do mercado internacional. Caso a demanda externa permaneça aquecida e o câmbio favorável, a soja pode encontrar espaço para recuperação. No entanto, ajustes logísticos e comerciais ainda devem manter as cotações em patamares estáveis no mercado interno.