Com consumo crescente e baixa oferta, ranicultura surge como alternativa rentável e sustentável para produtores
Mercado em expansão no agro brasileiro
A criação de rãs para produção de carne, conhecida como ranicultura, vem ganhando destaque no agronegócio do Brasil diante de um cenário de alta demanda e oferta ainda limitada. Segundo a Embrapa, o volume de produção nacional precisaria crescer cerca de três vezes para atender plenamente o consumo interno.
O interesse crescente pela carne de rã, considerada exótica e de alto valor agregado, tem impulsionado investimentos no setor, especialmente nas regiões Sul e Sudeste do país.
Como funciona a criação de rãs
A produção de rãs ocorre em sistemas controlados, com atenção rigorosa às condições ambientais. O ciclo começa com os girinos, que se desenvolvem em água com temperatura entre 24 °C e 28 °C. Já as rãs adultas podem ser mantidas em ambientes com até 35 °C.
O ciclo produtivo completo, do girino ao abate, pode levar até 12 meses. Para comercialização, o animal deve atingir entre 300 e 500 gramas.
A espécie mais utilizada no Brasil é a rã-touro, originária dos Estados Unidos, devido à sua alta produtividade e adaptação ao sistema intensivo.
Investimento e diversificação no campo
Produtores têm enxergado na ranicultura uma oportunidade de diversificação. Em Nova Aurora, o piscicultor Bruno Lotti investiu cerca de R$ 100 mil na atividade e já projeta expansão, com produção atual de 35 mil girinos e meta de atingir 50 mil.
O modelo exige manejo técnico especializado, incluindo alimentação balanceada, controle da qualidade da água e atenção ao estresse dos animais — um dos principais desafios da atividade.
Alta demanda e pouca oferta
Apesar do crescimento, o setor ainda enfrenta um desequilíbrio entre oferta e demanda. Produtores relatam que não há estoque parado, evidenciando o potencial de mercado.
No varejo, o preço da carne de rã pode variar entre R$ 90 e R$ 110 por quilo, dependendo da região e do tipo de corte. Restaurantes especializados têm impulsionado o consumo, oferecendo desde rã inteira até cortes como coxa e carne desfiada.
Produto nutritivo e versátil
A carne de rã se destaca pelo alto valor nutricional, com baixos níveis de gordura e colesterol. Além disso, apresenta sabor suave e textura macia, características que favorecem sua aceitação no mercado gastronômico.
A indústria também aproveita outros derivados, como óleo utilizado em cosméticos e pele aplicada em tratamentos médicos, ampliando as possibilidades de rentabilidade.
Potencial para o Nordeste e a Bahia
Embora a produção esteja concentrada no Sul e Sudeste, a ranicultura tem potencial de expansão em regiões como a Bahia, onde o clima favorece a atividade e há disponibilidade de recursos naturais.
Com o avanço de políticas públicas e iniciativas como o programa Ranicultura em Rede, a tendência é de crescimento da cadeia produtiva, consolidando a atividade como mais uma alternativa sustentável dentro do agronegócio brasileiro.